Hildebrando depõe amanhã à Justiça
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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 08 (AE) - O juiz Pedro Francisco da Silva, da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, começa amanhã (09) a tomar os depoimentos do ex-deputado Hildebrando Pascoal e dos PMs Alex Fernandes de Barros, Ronaldo Romero, Reginaldo Alves de Souza, João de Souza Pinheiro, do traficante Alexandre Alves da Silva, o Nim, irmão do deputado José Aleksandro (PFL/AC) e do pistoleiro Raimundo Alves de Barros, o Raimundinho, no processo em que figuram como responsáveis pelos assassinatos do policil civil Walter José Ayala e do PM Sebastião Crispim, nos dia 10 e 13 de setembro de 1997.
Ayala e Crispim eram testemunhas da Subcomissão Nacional de Direitos Humanos que investigava a atuação do esquadrão da morte no Acre. Ayala foi morto com três tiros dentro de um ônibus coletivo e, segundo o ouvidor agrário nacional, Gercino Filho, seria uma das mais importantes testemunhas do caso. Na época, Gercino era presidente do Tribunal de Justiça Acre e retomou as investigações iniciadas em 1995 pelo procurador da República, Luis Francisco da Silva.
Na quinta-feira (11), Hildebrando será ouvido no processo em que é acusado de sonegação fiscal, falsidade ideológica e crime contra o sistema financeiro. No início da década, o ex-deputado usou uma conta bancária no Itaú para supostamente lavar dinheiro de atividades ilícitas. A conta estava em nome de um peão de sua fazenda, identificado apenas "Querosene", que não sabia ler ou escrever. Pascoal movimentou a conta por mais de seis anos, segundo as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal.
Pascoal, Alex, Romero e Nim chegaram hoje de Brasília em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e, sob um grande esquema de segurança montado pela Policia Federal (PF), foram levados para prisões diferentes. Na condição de oficial superior da PM, Pascoal está recolhido numa cela especial no Quartel de Comando Geral da Polícia Militar. Nim, Raimundinho e Romero estão presos na PF e os outros foram para celas separadas no 4º Distrito Policial. O 4º Batalhão de Infataria de Selva, unidade do Exército em Rio Branco, recusou-se a abrigar os acusados, como queria a Justiça Federal. "Não é esta a missão constitucional do Exército", disse o comandante da unidade, Ruiter Collin.
Nenhum deles terá contato com alguém do grupo mas todos poderão receber visita de familiares durante os quatro dias em que estiverem em Rio Branco. Os parentes estão pensando em montar uma associação para ajudar na defesa dos presos. O próprio advogado da maioria do grupo, Rui Duarte, admite que a situação deles é muito complicada. Com a desistência dos advogados Pedro Calmon e Eri Varela, é possível que a família Pascoal contrate Duarte para defender Hildebrando. "Meu irmão não ficará sem defesa", afirmou Cosmoty Pascoal, deputado estadual pelo PPB.
"Já existem provas suficientes para incriminá-los", afirmou hoje o superintendente da PF, Glorivan Bernardes. No próximo dia 12, parte do grupo estará de volta ao quartel da PM em Brasília e parte seguirá para a penitenciária de segurança máxima em Goiânia (GO).


