Os secretários de Meio Ambiente de Mato Grosso, Frederico Muller, e Mato Grosso do Sul, Egon Krakhecke, receberam ontem um relatório técnico do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), sobre os impactos ambientais decorrentes do transporte de carga no trecho do Rio Paraguai, que atravessa o Pantanal. Embora a Hidrovia Paraná-Paraguai oficialmente ainda não esteja operando, a navegação de carga tem se intensificado com as obras - sobretudo dragagens - em alguns de seus trechos, com impactos visíveis para os especialistas.
Pelo menos cem quilômetros de barrancos, leito de rio e matas ciliares já foram destruídos e existem inúmeros pontos de erosão nas margens. O relatório ainda aponta a destruição de sítios arqueológicos em Cáceres (MT) e na foz do Rio São Lourenço, junto ao Parque Nacional do Pantanal, na divisa com Mato Grosso do Sul. Na opinião dos técnicos e ambientalistas, isso demonstra a necessidade de um plano integrado de utilização dos rios e a urgência de estudos dos impactos ambientais da hidrovia, como um todo. O documento de 63 páginas, intitulado ‘‘Retrato da Navegação no Alto Rio Paraguai’’, será encaminhado também aos Ministérios do Meio Ambiente, dos Transportes e das Relações Exteriores.
O relatório é o resultado de uma expedição realizada pela Fundação Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural (Cebrac) e pelo Instituto Centro de Vida (ICV) a pedido do WWF, da qual participaram oito pesquisadores de diferentes universidades e áreas de atuação, entre geólogos, hidrólogos, biólogos e engenheiros. Eles percorreram, entre os dias 3 e 14 de novembro de 1999, um trecho de 1.200 km, que liga Cáceres, em Mato Grosso, a Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul.
Segundo os pesquisadores, a região é de grande fragilidade ambiental, devido à sinuosidade e estreitamento do rio, à existência de bancos de areia e à vulnerabilidade de suas margens. Na área conhecida como Bracinho, próximo à estação Ecológica Taiamã, as margens estão afetadas em quase todas as curvas, indicando que as embarcações e comboios as utilizam como auxílio de manobras. Diz o documento: ‘‘o que se observa não são danos esparsos, que poderiam ser acidentais. São, de fato, marcas de impacto em todas as curvas mais restritas, indicando que, neste trecho, a navegação está sendo feita sobre as margens’’.

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