Um estudo comparativo entre a fisioterapia aquática e a convencional vem mostrando que a primeira pode ser mais efetiva no tratamento de linfedemas pós-mastectomia. A pesquisa, desenvolvida na Universidade Norte do Paraná (Unopar), é da fisioterapeuta e professora Adriana Paula Fontana Carvalho.
Os linfedemas, que se caracterizam pelo inchaço no braço, são uma das complicações que podem ocorrer depois da retirada total ou parcial da mama. A mastectomia é indicada para o tratamento do câncer de mama (leia mais nesta página).
Segundo a fisioterapeuta, quando a mama ou parte dela é retirada, também são retirados os gânglios linfáticos da axila. A medida serve para, ao mesmo tempo, impedir a metástase do câncer (que a partir dos gânglios poderia ir para qualquer parte do corpo), e para fazer um prognóstico da doença, descobrindo se já houve a metástase (aparecimento de um foco secundário).
Os gânglios fazem parte do sistema linfático, responsável por parte da drenagem de líquidos no corpo e pelo sistema imunológico. Sem os gânglios da axila, a drenagem de líquidos fica debilitada, e o braço, inchado. A diferença de diâmetro de um braço para outro pode ser de dois, três, quatro centímetros ou mais, aponta a especialista.
Sem a defesa imunológica, o braço também fica suscetível a reações infecciosas e inflamatórias que podem ser causadas por ações simples, como tirar cutícula dos dedos, se depilar, usar anel apertado ou sofrer uma picada de inseto. ''O braço fica sem condições de se defender. Se tiver uma reação, pode inchar e não desinchar mais'', alerta.
A mastectomia ainda pode causar fibrose e aderência na cicatriz, limitação do movimentos dos ombros e dor nessa região, além do linfedema. Essas complicações, segundo a fisioterapeuta, acontecem na maioria das pacientes. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), em 2005, com 150 mulheres, cita Adriana, 25% das pacientes apresentam linfedemas, 60% dor, e 40% limitação de movimentos. ''Às vezes, a mulher apresenta só um dos sintomas, mas é o suficiente para incomodar bastante'', afirma.
Por conta dessas complicações, a fisioterapia é indicada logo depois da cirurgia. No tratamento convencional, são usadas técnicas de drenagem linfática, cinesioterapia e terapia manual, dependendo da paciente. Na hidroterapia, além da drenagem, são feitos exercícios de fortalecimento, alongamento e relaxamento. Mas a hidroterapia só é indicada depois da cicatrização da cirurgia, o que pode demorar até três meses, se a paciente precisar passar por radioterapia.
A grande vantagem da hidroterapia é que o trabalho é feito em grupo, fortalecendo a auto-estima de mulheres que passam por um processo doloroso. Além disso, a pesquisa tem mostrado, segundo a fisioterapeuta, que na hidroterapia a recuperação da paciente é mais rápida que o trabalho em solo. Antes e depois de cada sessão, é medida a pressão arterial e o perímetro do braço, para se fazer a comparação dos resultados. A água, explica a fisioterapeuta, pelo propriedade de pressão hidrostática é favorável no tratamento de edemas, além de ter um efeito relaxante.
''A hidroterapia tem tudo o que a fisioterapia convencional oferece, mas com mais sociabilização. Então fica uma coisa mais leve. Na piscina parece que desvincula de um tratamento, tira aquela coisa da doença'', avalia Adriana. Segundo ela, a própria conversa entre as participantes do grupo ajuda na parte emocional,''mostrando que a vida continuou depois da cirurgia, que elas estão bem, e que até os casamentos se fortaleceram''.

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