Beirute, 31 (AE-AP) - O Hezbollah matou hoje (31) três soldados israelenses e feriu outros quatro no sul do Líbano, levando Israel a anunciar que não retomará as negociações com a Síria - suspensas desde janeiro - até que ela contenha o grupo guerrilheiro libanês.
"Israel não poderá negociar a paz enquanto os sírios não impedirem o Hezbollah de agir contra o Exército israelense na zona de segurança", afirmou num comunicado o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, que também chefia a pasta da Defesa.
Tradicionalmente, Israel se limitava a lançar ataques de retaliação contra supostas bases do Hezbollah. Agora, o endurecimento parece ser consequência da dura pressão interna contra Barak. Seu partido está sendo investigado sob a acusação de arrecadar fundos irregularmente para a campanha eleitoral que o levou ao poder.
Por causa do escândalo, o Parlamento debateu hoje uma moção de desconfiança contra Barak, mas, ao saber da morte dos militares, adiou a votação para a próxima semana.
O Hezbollah anunciou ter usado mísseis e metralhadoras no ataque à base militar israelense em Ezziyeh (perto do Castelo Beaufort, da época das Cruzadas), na "zona de segurança" ocupada por Israel no sul do Líbano, em sua mais sangrenta ação desde agosto. O ataque ocorreu um dia depois que o grupo matou o número 2 da milícia pró- israelense Exército do Sul do Líbano (ESL), o coronel Akl Hashem.
Considerado por Beirute uma resistência legítima à ocupação israelense, o Hezbollah já matou quatro militares israelenses e cinco milicianos do ESL desde o início do ano. Os guerrilheiros já perderam quatro homens no mesmo período.
Depois do ataque de hoje, o grupo xiita desafiou Israel a cumprir a ameaça de punir os responsáveis pelos últimos ataques. "Não estamos surpresos com as repetidas ameaças israelenses", afirmou Hussein al-Khalil, assessor político do líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. "A resistência mantém a iniciativa. Ela é a senhora da situação nos campos político e militar."
A Síria controla o Líbano e é acusada por Israel de permitir as ações do Hezbollah. As negociações sírio-israelenses foram suspensas há cerca de duas semanas, depois que Damasco exigiu, e não conseguiu, uma promessa formal de que Israel lhe devolverá as Colinas do Golan em troca da paz. As colinas foram ocupadas pelos israelenses em 1967.
Agravando o distanciamento entre sírios e israelenses, o jornal oficial de Damasco Tishreen descreveu hoje em editorial o Holocausto de 6 milhões de judeus na 2ª Guerra como um "mito" que teria sido criado pelos judeus "para receber mais dinheiro da Alemanha e outros estabelecimentos ocidentais e para acusar qualquer um contrário ao sionismo e suas políticas expansionistas de ser anti-semita".

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