Heterossexuais são maioria dos contaminados
São Paulo- O obstetra Abes Mahmed Amed, chefe do setor DST/Aids na Gestação do Núcleo de Patologias Infecciosas na Gestação (Nupaig), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não se impressionou tanto com os números da pesquisa com estudantes da USP. ''Como foram as primeiras vítimas da doença, os homossexuais e os hemofílicos estão hoje muito mais informados que os heterossexuais'', afirma. ''Entre os heteros, os jovens são os que estão mais se contaminando. Só aqui, no Nupaig, os jovens são maioria. E, se são infectados, é porque não estão informados.''
Dos outros meios de contaminação, entre os mais desconhecidos pelo grupo estão as transmissões da mãe para o feto e por meio do aleitamento materno.
A estudante do primeiro ano de Relações Públicas da USP, Paula Marcondes, de 20 anos, nunca ouviu falar que o bebê pode pegar Aids pelo leite materno. ''Para mim, não havia relação entre uma coisa e outra'', diz. O vírus passa não só pelo leite materno, mas também pelo colostro, que é a secreção que antecede o leite. Compartilhamento de seringas é o principal item apontado pelos entrevistados: 99,5% afirmam ser essa principal forma de contágio.
A maneira de prevenção também foi pesquisada no grupo da USP. O uso de camisinha em relações vaginais foi apontado por 78,2%. Já no sexo anal - a principal forma de transmissão sexual de doenças - a prevenção foi lembrada por apenas 40,8%. ''Os dados provam que os jovens se preocupam mais em evitar filhos do que com doenças'', explica a ginecologista Maria Eugenia Caetano, autora da pesquisa.
Thiago Ariki, de 21 anos, aluno do primeiro ano do curso de Relações Públicas da USP, tem uma relação estável há um ano e seis meses. Ele não usa camisinha desde que a namorada passou a tomar anticoncepcional. ''Confio na Mariana '', diz Thiago, referindo-se à parceira. ''Ela era amiga do meu primo e tem o oposto do estereótipo de mulher que apresenta algum tipo de perigo.''
Além da confiança no parceiro, que representa 28,6% dos motivos para não usar camisinha, os jovens apontam ainda o uso de outro método anticoncepcional para evitar gravidez. Dos entrevistados, 21,1% deram essa justificativa para não usar preservativo em suas relações sexuais.(A.D.L./A.E.)





