Rio, 28 (AE) - Na negociação da transferência da concessão da Manchete, Amilcare Dallevo Jr. e Marcelo de Carvalho Fragali (donos da TV Ímega) ficaram com o canal de televisão. Já Fábio Saboya Salles Jr., dono da Hesed Participações, ficou com a empresa TV Manchete, ou seja, em troca das dívidas, ele poderia ficar com os ativos da empresa. O negócio foi fechado em maio do ano passado, mas Saboya informou que, oficialmente, ainda não é o dono da TV Manchete.
"Tudo o que eu quero são os ativos, mas a Manchete ainda pertence à família Bloch", afirmou Saboya, ao final de uma audiência hoje, na Procuradoria Regional do Trabalho, no centro do Rio. Ele informou que a venda não pôde ser registrada na Junta Comercial porque há uma ação judicial envolvendo a Manchete, do ano passado, quando os Bloch conseguiram provar, na Justiça, que a emissora pertencia à família e não à empresa IBF.
"O advogado dos Bloch, Sérgio Bermudes, não fez a petição de execução final desse processo porque a família lhe deve R$ 800 mil em honorários", afirmou Saboya. O advogado afirmou que essa informação "é uma loucura completa". Segundo Bermudes, o processo não foi concluído porque a IBF entrou com um recurso para que o caso seja julgado no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília."O processo não terminou formalmente", informou Bermudes. "Mas isso não impede a realização de um negócio".
Fábio Saboya Salles Jr.informou ser de R$ 50 milhões o valor dos ativos da Manchete - isso inclui imóveis, torres, antenas, veículos, equipamentos e direitos de novelas. Ele contou que ao tomar posse dos ativos pretende montar uma companhia de propósito especial (SPE) para lançar debêntures no mercado e pagar os credores. "Eu não estou interessado em fazer TV", afirmou.
O negócio foi considerado "frauduleto" pela Justiça do Rio, em outubro do ano passado, quando a juíza da 14ª Vara Cível , Rosana Navega Chagas, deu ganho de causa ao Grupo Bloch ao estabelecer a TV Ímega como sucessora da TV Manchete. Na sua sentença, afirmou que Saboya agiu como "laranja" ao assumir a "banda podre" da Manchete.
"Eu não sou vilão", afirmou Saboya, de 40 anos, há 17 anos no ramo financeiro. "A juíza apenas copiou o texto do advogado". Segundo ele, o negócio envolvendo a Manchete ainda é "economicamente interessante", apesar dos confrontos jurídicos.

mockup