Heróis ou vilões?
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - O tema é antigo e rende muita discussão. Falar sobre quem são os verdadeiros heróis e os grandes vilões da nossa antiga e atual sociedade, resulta não só em muita reflexão, mas também em diferentes opiniões.
E esse desafio foi escolhido por professores e alunos do curso de Direito da Faculdade Norte Paranaense (Uninorte). Desde o início do ano, eles estão realizando pesquisas bibliográficas e, ontem de manhã, aplicaram questionários no Calçadão de Londrina.
Coordenado pelo professor e advogado criminalista Fabrício Almeida Carraro, com a colaboração da professora doutora em Ciências Sociais, Francisca Vergínio Soares, o projeto "Heróis e Vilões existem critérios para defini-los?" tem o objetivo de saber como a população escolhe seus heróis e porquê.
Com 21 questões, o estudo abrangerá 1.500 pessoas, de todas as faixas etárias e a previsão é que seja concluído em março do ano que vem. "Além dos critérios legais, pretendemos descobrir se há critérios subjetivos. Ao responder estas perguntas, as pessoas já estão refletindo sobre o tema, o que é um bom começo", comenta Carraro.
Para a professora de Marketing Fernanda Pirolla, que participou da pesquisa, o tema é muito interessante, porém difícil. "Acho que todo mundo tem um pouco de herói e de vilão. Meus pais são meus grandes heróis, mas pensar em quem é o vilão, não foi fácil. Penso que são as pessoas que andam às margens da leis, os corruptos principalmente", comenta.
O estudante de Arquitetura Guilherme Massahiro também se interessou pelo assunto porque a figura de vilão e de herói, segundo ele, sempre esteve muito presente no seu dia a dia. "Sou fã dessa temática desde a infância, quando lia os gibis, mas é complicado definir quem é quem. Na minha opinião, é muito subjetivo", diz o jovem, que aponta os pais como os grandes heróis de sua vida. "Pela educação que me deram, pelo carinho. Eles são um grande exemplo", acrescenta.
REFERÊNCIAS
A socióloga Francisca Vergínio Soares, colaboradora no estudo, conta que o tema surgiu de outra pesquisa realizada por ela em 2010, com os adolescentes que cumpriam medidas socioeducativas. "Uma das perguntas abordava justamente quem representava um herói para eles e houve inúmeras respostas. A partir daí, começamos a debater o assunto", afirma.
Para ela, essa discussão é importante para definir a ideia do herói e dos atos que marcam essa figura. "É muito subjetivo, mas vejo que hoje, vivemos em uma sociedade em que os valores positivos estão sucateados por modelos negativos. No caso dos adolescentes envolvidos com o crime, há muitas referências negativas de heróis, o que acaba incitando-os a agirem por achar que aquilo realmente é algo bom", acrescenta.
Após a conclusão da pesquisa, a intenção do grupo é montar um projeto de extensão junto às crianças e adolescentes, que trabalhe com múltiplas inteligências. "A proposta seria mostrar diferentes possibilidades, com exemplos de líderes da nossa sociedade. Em outras palavras, seria apresentar novos heróis para as crianças, em todas as áreas", afirma.


