Uma doença muitas vezes silenciosa até que apareça a primeira crise. Presente principalmente entre a população negra, a anemia falciforme, ainda é pouco conhecida, apesar de demandar cuidados médicos constantes. Chamar a atenção para o problema foi um dos objetivos do 2º Seminário Mulheres Negras e Saúde, que aconteceu em Londrina, na última semana. O evento foi promovido pela Rede Mulheres Negras do Paraná e APP Sindicato.
A anemia falciforme é uma doença hereditária, transmitida quando pai e mãe são portadores do chamado traço falciforme. Quem tem o traço não tem a doença, mas pode passá-la para os filhos. Diferentemente da anemia, que é a diminuição da hemoglobina no sangue, na falciforme a pessoa tem uma hemoglobina chamada S, diferente da normal, que é a A. A hemoglobina, juntamente com o ferro, é responsável por levar oxigênio do pulmão para todo o corpo, e quem tem a do tipo S não tem essa função cumprida de forma satisfatória, nem mesmo suprida com alimentação e ferro.
Quem tem a doença pode ter poucos sintomas, mas também há os casos de crises graves, com dores fortes nas articulações e na barriga, e infecções de repetição, que podem até levar à morte. O portador de anemia falciforme também pode apresentar palidez e os olhos amarelados, como na hepatite.
A doença é diagnosticada principalmente com o teste do pezinho, feito em bebês, mas muitos adultos que não passaram pelo teste, só a descobrem durante uma crise. ''É uma doença que mata, mas pouco conhecida pela população'', alerta Rosilda Quintilhano, presidente da Associação das Pessoas com Doenças Falciformes do Paraná (Afalp).
Um dos objetivos da associação é justamente esse, levar informação às pessoas, através de reuniões periódicas, e fazer com que a criança que seja diagnosticada com a doença inicie o tratamento já a partir dos três meses de idade. ''São crianças mais suscetíveis a infecção, que precisam de acompanhamento médico, medicação e exames constantes. Há ainda o preconceito que essa pessoa sofre, muitas vezes chegando a causar depressão'', afirma Rosilda.

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