Paris, 15 (AE) - A disputa pela herança do conde de Paris, que morreu em junho, aos 90 anos, está provocando um grande escândalo junto às cortes européias. Desde sua morte, os filhos do ex- pretendente ao trono da França descobriram que seu pai não lhes havia legado um franco sequer.
Sua fortuna desapareceu inteiramente e mesmo na Casa de Dreux, onde o conde de Paris viveu seus últimos dias na companhia de Monique Friesz - sua mulher e governanta -, os filhos não recuperaram nenhuma jóia ou móvel, apesar de tudo ter sido cadastrado e avaliado anteriormente em algumas dezenas de milhões de francos.
Os descendentes, inconformados, iniciaram um processo de lavagem de roupa suja que ninguém sabe onde vai parar. O príncipe Jacques, duque de Orleans e terceiro filho do conde, está lançando um livro sobre os tenebrosos negócios do conde de Paris, no qual procura destruir a imagem do pai, definindo-o como "um tirano doméstico".
Na terça feira, o advogado Olivier Baratelli, acompanhado dos filhos do conde e de um oficial de Justiça compareceram à Capela de São Luís, antigo arcebispado de Dreux. Lá foram recebidos por Pierre Hubert, responsável pela capela da Fundação São Luís e, por coincidência, genro da última companheira do conde. Qual não foi a surpresa de todos ao depararem com móveis, jóias e quadros que pertenciam ao conde. A Justiça está também impedindo qualquer acesso aos cofres que o conde de Paris mantinha no Crédito Municipal, onde acredita-se esteja depositada uma parte de sua fortuna em jóias.
A imagem do conde sempre foi "falsa e fabricada". Quando ele ainda estava vivo, conta seu filho Jacques de Orleans no livro, havia prometido que ao morrer só deixaria para seus filhos muito ódio. Jacques responsabiliza o pai pela morte de seu irmão gêmeo, François, durante a Guerra da Argélia, em 1960. Depois de diplomado o irmão foi muito prejudicado pelo pai, levando-o a alistar-se nas forças francesas.
O duque de Orleans revela que seu pai era manipulado todo o tempo pelo general Charles de Gaulle, na expectativa de um dia tornar-se seu sucessor, mas ninguém esqueceu seu passado petainista, pois em 1941 chegou a lançar um apelo apoiando a ação e o pensamento do marechal Petain. Agora, com essa história, Jacques está convencido que o conde malogrou até na sua saída definitiva de cena.
Diante de tudo isso, os franceses hoje sentem um certo alívio, pois se não fosse a república, esses homens poderiam ter dirigido os destinos da França.

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