Amã, 05 (AE-REUTERS) - O príncipe Abdullah bin Hussein, o filho mais velho do moribundo rei Hussein, da Jordânia, foi arrancado de sua caserna militar e lançado nos negócios estatais no mês passado quando seu pai nomeou-o herdeiro do trono.
Até então, o príncipe de 37 anos, comandante das Forças Especiais da Jordânia num exército que forma a base do apoio à governista dinastia hashemita, havia raramente sido considerado um concorrente de peso para o trono.
Energético e entusiasta, ele demonstrou mais interesse em missões noturnas com suas forças buscando contrabandistas ao longo da fronteira norte da Jordânia com o Iraque.
Assessores próximos dizem que Abdullah, cujos interesses inclui colecionar armas antigas, tinha poucas ambições fora do exército, afirmando a fontes militares, até dois meses atrás, que não desejava ser rei.
Não preparado para o cargo máximo, ele foi jogado na cena internacional pela inesperada decisão de seu pai na semana passada de indicá-lo como herdeiro no lugar de seu irmão, príncipe Hassan, seu sucessor designado por 34 anos, e pela reviravolta e retorno mortal de um câncer contra o qual o rei lutou no ano passado.
O rei Hussein mal havia acabado de voltar às pressas para os Estados Unidos para novo tratamento, e a secretária de Estado americana, Madeleine Albright, chegava a Amã para expressar apoio ao príncipe soldado.
Príncipes de famílias reais de Estados do Golfo árabe e o filho do líder líbio Muammar Kadafi também foram a Amã para mostrar seu apoio.
O papel de liderança do futuro rei nas Forças Armadas deve ajudá- lo a garantir o respaldo dos militares, o que seria essencial para uma transição tranquila.
Mas fontes disseram que suas habilidades políticas ainda têm de ser testadas e questionam se seu entusiasmo algumas vezes impulsivo terá um impacto positivo nos assuntos de Estado, lidando com outros líderes árabes que têm governado por décadas e enfrentando dificuldades econômicas que têm torturado seu país, pobre em recursos naturais.
Abdullah foi o príncipe herdeiro por pouco tempo quando era criança, mas seu tio, príncipe Hassan - o irmão mais novo do rei Hussein - foi indicado o sucessor em 1965 para garantir que a coroa não fosse passada para uma criança num momento de turbilhão crescente no Oriente Médio.
Ele tem ocasionalmente agido como regente na ausência do rei Hussein e outros altos membros da família e tem construído laços com jovens membros das famílias governantes do Golfo árabe.
Seu papel principal tem sido nas Forças Especiais, um comando altamente especializado dedicado a manter a ordem interna. A unidade ajudou a sufocar distúrbios no sul da Jordânia em 1996.
No ano passado ele liderou uma notável operação das Forças Especiais de invadir o esconderijo de um pistoleiro que havia matado oito pessoas em Amã. Quando o tiroteio acabou, jordanianos gritavam seu nome nas ruas.
Pouco meses depois seu pai o promoveu a major-general e diplomatas especularam que o rei, o governante a mais tempo no cargo no Oriente Médio, estava preparando-o para assumir o comando das forças terrestres da Jordânia.
Apesar de não haver impedimento constitucional, o fato de Abdullah ter uma mãe inglesa, ter nascido como um não-muçulmano, era visto como um obstáculo à sua ascenção ao trono de um tribal país muçulmano.
Jordanianos, especialmente aqueles de origem palestina, têm mostrado mais afeição ao príncipe Ali, filho da terceira mulher do rei Hussein, Alia - uma muçulmana palestina. Abdullah tem, entretanto, uma mulher palestina.
Mais recentemente, o rei Hussein parecia estar preparando o príncipe Hamza, 18 anos, seu filho mais velho de sua quarta mulher, rainha Noor, para o trono.
Mas autoridades disseram que o rei julgou que era arriscado demais nomear um adolescente ainda não testado como o próximo na linha para o trono.
O príncipel Abdullah nasceu em Amã em 30 de janeiro de 1962, filho do rei Hussein com sua segunda esposa, a inglesa Toni Gardiner, conhecida como princesa Mona.
Ele foi enviado aos quatro anos para uma escola na Inglaterra, mas completou o segundo grau nos Estados Unidos. Depois ele cursou um ano em assuntos internacionais na Universiade de Oxford, na Inglaterra, e na Universidade de Georgetown, em Washington.
Em 1980 ele entrou na Academia Militar britânica em Sandhurst e serviu no exército britânico na Alemanha Ocidental e Grã-Bretanha. Ele serviu nas 41ª e 90ª brigadas de blindados, na ala antitanque da força de helicópteros e na Segunda Brigada de Guardas.
Em 1993 ele foi apontado como vice-comandante das Forças Especiais, assumindo o comando um ano depois.
Abdullah casou-se com a princesa Rania em junho de 1993. Eles têm um filho, príncipe Hussein, e uma filha, princesa Iman.
Abdullah é um homem-rã e piloto qualificado. Entre suas distrações estão corridas de carros, esportes aquáticos, mergulho submarino e coleção de armas antigas.

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