Rio de Janeiro - A hepatite A, considerada uma das formas mais brandas da doença, está mudando o perfil epidemiológico e atingindo cada vez mais a população adulta, faixa de idade em que a infecção é mais grave.
Pesquisa com 598 estudantes, apresentada em novembro no Congresso Internacional de Infectologia Pediátrica, no Chile, mostrou que 44,7% dos alunos haviam tido contato com o vírus da hepatite A. Mas esse índice ficava em zero entre crianças até 10 anos e chegava a 60% entre os estudantes com 18 anos.
''Isso quer dizer que as crianças na tenra idade, até os três anos, não têm mais contato com o vírus da hepatite A, como acontecia há 30 anos, e levava os médicos a acreditar que 90% da população brasileira estava imune à doença. Hoje, a hepatite A não é mais doença de criança, e sim de adulto'', diz a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações - Regional Rio (Sbim-RJ), a médica Isabella Ballalai, uma das autoras do trabalho.
''O problema é que na infância a hepatite A é muitas vezes assintomática. No adulto, ela é mais agressiva, e hoje é a maior causa de falência fulminante do fígado em todo o mundo'', diz Isabella.
Para Isabella, a principal mudança no perfil da disseminação da doença está na melhor condição sanitária nas cidades - esgoto e água tratados. As pessoas passaram a ter contato com o vírus esporadicamente - ao mergulhar numa praia contaminada, por exemplo - e cada vez mais tarde.

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