Para pacientes com dor crônica e depressão também é preciso descartar todos os possíveis tratamentos - efetivos em 97% das vezes - antes de se pensar na cirurgia de implantação de eletrodos. Nestes casos, outras áreas são alvos dos implantes. Segundo o neurocirurgião Helvercio Polsaque Alves, de Maringá, as chamadas áreas 24 e 25 do cérebro são os principais.

Uma das ações possíveis para controle da dor crônica, segundo ele, é estimular a secreção de endorfinas, ou ainda inibir a área 24, relativa ao sofrimento. Já a área 25, relativa ao humor, é alvo quando a depressão não respondeu a nenhum tratamento. ''Em 76% a 78% dos casos há melhora acima de 88%. Sempre fica um pouco de dor, mas é uma melhora significativa quando um paciente que dava nota 9 (em uma escala de dor de 0 a 10) muda para 2, por exemplo'', afirma.

O risco principal do procedimento é de hemorragia. ''Mas, é um risco baixo, de 0,5% a 1,2%'', atesta. Também há risco do eletrodo atingir o trato óptico e causar cegueira. Mas, durante a cirurgia, se isso acontece, o paciente está acordado e vê uma luz branca, como um flash. Neste caso é só mover o eletrodo um a dois milímetros para cima para reverter o dano. Já, na cirurgia ablativa, o risco de lesão é de 14% e não pode ser revertido.

Outro tipo possível de implante para controle da dor crônica, explica Alves, é feito diretamente na medula, para inibir o órgão que ''só sabe mandar informação de dor''.

A técnica foi desenvolvida por pesquisadores canadenses para substituir a cirurgia ablativa. No Brasil, aponta Alves, o procedimento é usado desde 2003, e, em Maringá, desde 2004. Neste período já foram implantados 63 eletrodos cerebrais profundos e 35 medulares.(C.P.)

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