Recife, 17 (AE) - A Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope) lança na quarta-feira (19) uma campanha de esclarecimento sobre a ausência de risco de contaminação tanto nas doações como nas transfusões realizadas com sangue fornecido pelo orgão. Além de ser uma espécie de "prestação de contas" à população, explicitando a forma de trabalho adotado pelo Hemope, a campanha também visa, de acordo com a vice-presidente do órgão
Heloísa Querette, a agradecer aos seus funcionários e aos doadores que não deixaram de se apresentar para doar sangue, apesar da polêmica nacional provocada pela denúncia da possibilidade de uso de plasma contaminado com HIV e Hepatite A e C nos anos de 1997 e 1998.
Segundo o Hemope, a denúncia não afetou as doações. No sábado, houve uma redução de cerca de 50% no período de manhã, mas no final do dia o número de doadores ficou dentro da média dos sábados, que é de 110. Hoje, até as 15 horas, o Hemope já havia recebido 280 doações, sem incluir a coleta externa em quartéis e empresas. Durante a semana, a média de doações é de 370/dia.
Serão distribuídos 4 mil cartazes e 6 mil panfletos. Os panfletos - de agradecimento - destinam-se aos doadores (5 mil) e aos funcionários do Hemope (mil). Os cartazes de esclarecimento irão para hospitais (2 mil) e empresas (mil). Outros mil serão colados nos vidros traseiros dos ônibus urbanos.
Uma comissão de inquérito criada pela Secretaria estadual de Saúde começou hoje a averiguar a denúncia do Conselho Federal de Medicina (CFM) de que o Hemope não comunicou o Ministério da Saúde da existência dos nove lotes de plasma supostamente contaminados.
O Hemope produz albumina, cuja matéria-prima é o plasma (parte líquida do sangue), recebendo o produto de 13 Estados brasileiros. Embora tenha descartado o plasma sob suspeita, o Hemope não avisou a Vigilância Sanitária estadual e federal do ocorrido, como manda a legislação do Ministério da Saúde. A fim de tentar descobrir o motivo da omissão da informação, a comissão, integrada pelo advogado do Hemope Ubirajara Carvalho, e pelos farmacêuticos Carlos Costa e Aírton Medeiros, vai ouvir os diretores do Hemope na época da irregularidade.
A diretora estadual de Epidemiologia e Vigilância Sanitária, Jacira Freire, informou ter sido iniciado o trabalho de rastreamento da documentação de todos os doadores do sangue dos lotes suspeitos, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades nos procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Serão investigados os cinco hemocentros pernambucanos, localizados no Recife, Caruaru (no agreste), Petrolina, Ouricurí e Garanhuns (no sertão).
Segundo ela, o mesmo trabalho - que tem um prazo de 60 dias para ser concluído- será realizado pelas vigilâncias sanitárias estaduais dos outros hemocentros que forneceram o plasma suspeito - Bahia, Alagoas, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O setor de Processamento Industrial de Plasma do Hemope está interditado.

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