O polêmico serviço de pousos e decolagens de helicópteros para vôos panorâmicos dentro do Parque Nacional do Iguaçu está de volta. Após um intervalo de 11 meses, quando a Helisul - empresa que há 26 anos faz vôos turísticos sobre as Cataratas - foi impedida por uma decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o serviço voltou com restrições.
A primeira, é que o retorno não tem caráter definitivo. A partir de outubro de 1999, quando expira o prazo do atual contrato, a concessão para vôos panorâmicos poderá passar por profundas mudanças. A administração do parque estuda a melhor maneira de incluir a atração no plano de revitalização da unidade, que começará a ser implementado no próximo ano. Existe a possibilidade de os helicópteros serem substituídos por balões.
As outras restrições são de natureza técnica. Pelo acordo firmado entre o corpo diplomático argentino e o Itamaraty, as eventuais invasões do espaço aéreo argentino pelos helicópteros brasileiros só serão permitidas a 900 metros de altitude. A medida acarretou uma menor abrangência do trajeto, que tem duração de 7 minutos. Também negociada no acordo, a frequência dos vôos foi diminuída. Antes diários, os vôos passaram a ser feitos de quinta a domingo.
Retomados em 10 de outubro, os vôos, que começam e terminam num heliporto de frente às Cataratas, ainda são uma novidade na temporada e não refletiram em um aumento no faturamento da Helisul. ‘‘A média está entre 15 e 20 decolagens por dia. Na nossa melhor época, chegamos a fazer 50 vôos diários’’, conta Celso Biesuz, diretor da empresa.
Para reverter o quadro, a Helisul está divulgando junto a agências internacionais a volta do serviço. Segundo a empresa, de cada dez passageiros, oito são estrangeiros. Os ingressos, comprados em um posto de atendimento nas Cataratas, custam US$ 50.
‘‘O preço é tão exagerado quanto as reinvindicações dos ambientalistas argentinos’’, brinca o médico uruguaio Gabriel Trujillo, 40 anos, que visitou os saltos em outubro, mas desistiu dos vôos panorâmicos. Para ele, a pouca frequência dos helicópteros acaba não afetando o meio ambiente.
O industrial espanhol Ramón Garrigos, 42 anos, que durante o vôo panorâmico gastou um filme inteiro de sua máquina fotográfica, embora satisfeito com o vôo, lamentou sua rapidez e pouca abrangência. ‘‘Não faz mal, as boas coisas da vida são assim mesmo’’.Ney de SouzaEmpresa operadora está divulgando junto a agências internacionais a volta do serviçoLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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