Maputo, 29 (AE-AP) - Helicópteros resgataram nesta terça-feira (29) centenas de pessoas que ficaram ilhadas nos telhados das casas, nos topos de árvores e nos terrenos devastados pelas inundações em Moçambique.
O presidente Joaquim Chissano sobrevoou zonas submersas em água e lama, e descreveu ter visto cadáveres boiando nos rios. Durante a noite, o rio Limpopo transbordou e arrasou a aldeia costeira de Xai-Xai. Os 130.000 habitantes locais foram retirados pouco antes do desastre, mas ainda não há certeza se houve vítimas ou não.
Apesar dos esforços, milhares de pessoas continuam presas nos telhados das casas se esforçando para continuar acima da água. Restos de animais afogados flutuavam entre os grupos de sobreviventes.
A porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), Michele Quintaglie, disse que muitas famílias não conseguirão aguentar por muito mais tempo. Milhares de vítimas estão sem comer há dias.
"Devemos trazer mais helicópteros da Europa", disse Michele. Menos de uma dúzia dessas aeronaves participam das tarefas de resgate.
O Programa Mundial de Alimentação informou que pelo menos 300.000 pessoas precisam de ajuda e que a situação é de emergência.
A Força Aérea da áfrica do Sul enviou hoje mais dois helicópteros. O ministro de Defesa sul-africano, Mosinuoa Lekota
cujo país também sofreu inundações, sobrevoou algumas regiões de Moçambique para avaliar a situação.
Os helicópteros sul-africanos resgataram hoje, até o meio-dia local, 550 pessoas. Nos dois dias anteriores, segundo informações do capitão da Força Aérea sul-africana, Hugo Weich, foram resgatadas outras 4.823 pessoas.