Brasília, 02 (AE) - Minas Gerais pagará os US$ 108 milhões da dívida externa em eurobônus que vence no dia 10. Foi o que garantiu hoje o chefe da Casa Civil do Estado, Henrique Hargreaves. "Os eurobônus serão pagos", afirmou. No entanto, o secretário de Fazenda de Minas Gerais, Alexandre Dupeyrat, apontava, em Belo Horizonte, dificuldades para o cumprimento da meta.
Segundo Hargreaves, nunca foi colocado em dúvida que o Estado cumpriria os compromissos. "O governo não é caloteiro, e nem o governador."
Ele informou, ainda, que a suspensão dos empréstimos do Banco Mundial (Bird) não terá repercussão grave. "Esses recursos são necessários, mas não problemáticos; o problema é pagar as dívidas e organizar e disciplinar os gastos", comentou.
O pagamento dos eurobônus era o que causava mais preocupação na área econômica do governo federal. Embora a dívida não tivesse garantia da União, a ordem era honrar o pagamento do dia 10, nem que fosse com recursos federais, para não comprometer ainda mais a imagem do Brasil no mercado internacional.
A maior parte do dinheiro para quitar a parcela dos eurobônus está depositada numa conta conjunta do Estado com a Secretaria do Tesouro Nacional. Porém, há dúvidas jurídicas se o dinheiro poderá ser sacado sem a autorização de uma das partes.
Hargreaves afirmou que a reunião dos governadores de oposição e com o presidente Fernando Henrique Cardoso, marcada para o dia 9
pode ser infrutífera. "É complicado eles virem aqui para ouvir a mesma coisa, de que a dívida não pode ser renegociada", comentou. "Isso não tem sentido." Ele disse que o Estado tem propostas para tratar da questão das dívidas, mas só vai se pronunciar "quando as negociações forem abertas." Segundo Hargreaves, é "impossível" o Estado comprometer 13% das receitas com o pagamento da dívida. "Se Minas está reclamando, não é por manha, é porque não tem dinheiro", afirmou. Ele disse que o governador Itamar Franco (PMDB) teria pedido uma audiência ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, em 2 de janeiro. "Mas o ministro nem deu confiança", reclamou.
O chefe da Casa Civil de Minas Gerais informou que o governo está fazendo uma auditoria nas contas. "Recebemos o Estado em situação caótica", disse. Entre as medidas adotadas, estão o corte de 30% na folha de pessoal, a negociação com os fornecedores do governo e a antecipação do recolhimento de receitas, como a do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

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