HE reclama de atrasos nos repasses do município
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domingo, 05 de janeiro de 2014
Viviani Costa<BR>Reportagem Local 
Londrina - Os atrasos nos repasses feitos pela Prefeitura de Londrina estão entre os motivos que levaram os médicos plantonistas a anunciarem a paralisação dos atendimentos no Pronto-Socorro (PS) do Hospital Evangélico (HE) a partir de 3 de fevereiro. Em entrevista coletiva ontem, a direção do HE revelou que, desde julho do ano passado, o município não repassa os valores integrais da verba do SUS.
Conforme Eduardo Cardoso, diretor da Associação Evangélica Beneficente de Londrina (Aebel), entidade mantenedora do hospital, a quantia referente ao período enter julho a outubro foi paga parcialmente no final de dezembro do ano passado, depois que os médicos decidiram interromper os atendimentos no PS a partir de fevereiro. Segundo ele, o valor pago até agora é referente apenas ao incentivo destinado aos plantonistas que corresponde, em média, a R$ 155 mil por mês. "Mas a parte hospitalar necessária para manter os atendimentos ainda não foi repassada", diz o diretor da entidade.
A lista de reivindicações dos plantonistas é longa e abrange uma série de fatores que deixaram a equipe médica insatisfeita nos últimos anos. Entre eles estão a superlotação no PS, a defasagem nos honorários médicos, a falta de leitos de UTI e de médicos nas escalas de plantão à distância, além do excesso de trabalho.
Segundo Cardoso, os diretores do hospital estão solidários às reivindicações e apoiam o movimento. "O atendimento ao SUS é deficitário mesmo com os pagamentos em dia", destaca. Ele adianta que a direção do hospital ficará a disposição para auxiliar as negociações referentes ao reajuste nos honorários estabelecidos pela tabela SUS. Já as reformas na infraestrutura dependem de verbas federais.
Repasse
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, nega que os repasses estejam atrasados. "Tudo o que recebemos do governo federal, nós já repassamos aos hospitais. Não tem atraso", garante. Segundo ele, o que há é uma defasagem em relação ao teto do SUS estabelecido em R$ 13 milhões. O montante repassado ao hospital não foi revelado. "Vou conferir os valores e repasses, mas não há atrasos", afirma.
Os médicos atuam no HE de forma autônoma e recebem repasses por cada procedimento realizado. O chefe do setor de Cardiologia, Icanor Ribeiro, comenta que a defasagem chegou ao limite admitido pelos profissionais. "Eu recebo R$ 9 bruto para fazer uma avaliação do risco cirúrgico de cada paciente e assinar embaixo. Isso é muito pouco", lamenta Ribeiro.
Um levantamento feito em 2012 aponta que especialistas de 12 áreas atendiam 90% dos pacientes que passavam pelo PS. Hoje faltam profissionais interessados em preencher as escalas por causa da baixa remuneração e das condições de trabalho. "Em 2008 eram 30 cirurgiões. Em maio do ano passado, já não havia mais ninguém na escala", relata o médico-cirurgião Emanuel Gois Junior.
Os plantonistas afirmaram que só irão reconsiderar a paralisação caso as autoridades consigam melhorias no repasse e reajuste no valor dos honorários médicos. "Promessas nós não vamos mais aceitar. Tem que existir um compromisso assinado", destaca Ribeiro.
A direção do hospital informou que buscará alternativas para atender os clientes do plano de saúde Hospitalar. A Aebel e os plantonistas buscam o apoio do restante da categoria para sensibilizar o governo federal e alterar a tabela SUS.


