O Hospital do Câncer de Londrina (HCL) deu início ao primeiro protocolo de pesquisa clínica com um medicamento para tratamento de leucemia mielóide crônica. O estudo, que deve se estender por dois anos com avaliações a cada seis meses, é resultado de parceria firmada com a indústria farmacêutica Novartis.

Segundo o oncologista clínico Clodoaldo Zago Campos, coordenador de pesquisa clínica do HCL, o primeiro protocolo se refere a uma doença considerada rara, mas o resultado do estudo poderá ser uma alternativa para aqueles pacientes que não respondem ao tratamento padrão. Um paciente já foi incluído na pesquisa aberta em março com a medicação nilotinibe, comercializada com o nome Tasigna. ''Para os pacientes, é uma alternativa a mais. Para o HCL, uma forma de trazer mais credibilidade e referência no tratamento do câncer'', diz.

O tratamento padrão da leucemia mielóide crônica, explica Campos, é o uso de mesilato de imatinibe ou Glivec (nome comercial) em uma dose de 400 miligramas por dia. ''Cerca de 20% a 30% dos pacientes não respondem e esses é que estão sendo selecionados para o estudo'', afirma. Antes, o paciente que não respondia ao tratamento padrão recebia uma dosagem maior do Glivec, de 600 mg por dia, procedimento considerado experimental.

Nesta pesquisa, os pacientes serão divididos em dois grupos - um vai receber a dosagem de 600 mg do Glivec e o outro 800 mg do Tasigna. O objetivo é comparar a resposta aos dois tratamentos. ''A ideia é definir a melhor estratégia para os pacientes refratários, já que hoje não há padrão'', ressalta Campos. Um dos 11 critérios para ser incluído no estudo é ter usado o Glivec entre seis e 18 meses e não ter apresentado o resultado esperado.

Como a doença é rara - apenas cerca de 10% dos casos de tumores são hematológicos e dentre esses há dezenas de outras variedades além da leucemia mielóide crônica - a expectativa é que de três a cinco pacientes do HCL possam participar da pesquisa. ''O estudo está sendo feito em outros centros do Brasil, da Europa e da Rússia. Como há uma dificuldade em se encontrar pacientes com essa patologia e dentro dos critérios da pesquisa a meta é incluir 182 pacientes, no total, para se ter uma conclusão'', explica o médico.

Nesse primeiro estudo também estão envolvidos os médicos hematologistas do HCL Roberto Franzin Coelho e Luis Gabriel Fernandes Turkowski como coinvestigadores. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Santa Casa de Londrina. ''Nossa expectativa é ter em dois a três anos outras pesquisas, principalmente na área de tumores sólidos, 90% dos casos de câncer, o que vai beneficiar muito mais pessoas'', ressalta Campos.

Segundo ele, nos últimos dois anos a instituição investiu em espaço físico e no treinamento de profissionais para pesquisa. O enfermeiro Hugo Bittencourt Kubo, coordenador desse primeiro estudo, fez treinamento no Instituto Nacional do Câncer (Inca) durante dois meses no ano passado, para se especializar no assunto.

mockup