Curitiba- O Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), incluirá em sua rotina a cirurgia cardíaca por videotorascopia. A técnica, ainda pouco difundida no Brasil, é menos invasiva, pois dispensa a abertura do tórax, e permite que o paciente deixe o hospital em, no máximo, 48 horas depois da intervenção. Na cirurgia convencional, o tempo médio de internação é de uma semana.
A nova técnica e o uso de robôs nas cirurgias de desobstrução das artérias do coração serão apresentados para cerca de 70 profissionais de medicina, hoje e amanhã no curso de ''Cirurgia Cardíaca: robótica e videotorascopia - o Estado da Arte da revascularização do miocárdio com o coração batendo''. O curso foi organizado pelos professores Danton da Rocha Loures e Cláudio Pereira da Cunha, da UFPR, e tem como convidados especiais os professores Enio Buffolo, da Escola Paulista de Medicina, e Fábio Jatene, da Universidade São Paulo (USP).
Os participantes do curso poderão acompanhar na prática a técnica de videotorascopia. Segundo Rocha Loures, amanhã a equipe de médicos do HC realiza seu oitavo procedimento utilizando a técnica. A videotorascopia, explicou, utiliza um sistema ótico que permite ao cirurgião acompanhar em um monitor de vídeo todo o procedimento de dissecação da artéria, no caso a mamária, que irá substituir a artéria obstruída.
A cirurgia consiste em uma incisão no tórax de apenas 5 milímetros por onde é introduzido o catéter que vai chegar até a artéria mamária. De acordo com o médico, o paciente recebe uma anestesia especial que faz com que apenas o lado direito do pulmão ventile, permitindo que a parede do lado esquerdo do tórax onde a artéria mamária fica ''colada'' permaneça desimpedida para a intervenção.
Além da recuperação mais rápida, o risco de infecção é menor. Mas, Rocha Loures lembra que a videotorascopia só pode ser feita em pacientes com uma ou no máximo duas artérias obstruídas. ''A tendência é expandir a técnica, mas com muito critério'', observou.
O próximo passo do HC será introduzir o uso de robôs nessas cirurgias. As máquinas obedecem ao comando de voz dos médicos. Um outro robô, mais avançado, também pode vir a auxiliar os médicos brasileiros. O ''Da Vinci'', como foi batizado, tem quatro braços, que são guiados pelo cirurgião.

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