São Paulo, 30 (AE) - O Hospital das Clínicas de São Paulo vai criar no início do próximo ano a "prescrição eletrônica" das receitas para controlar melhor o estoque e evitar a falta de medicamentos. De acordo com o superintendente do HC, José D´Elia Filho, quando o médico digitar a receita no computador a informação será imediatamente processada no estoque. "Dessa forma, vamos poder controlar melhor a demanda e o estoque", diz.
A direção do hospital está estudando como funcionará o programa de "prescrição eletrônica". Cada consultório será equipado com o computador ou serão criados núcleos de digitação de receita.
Medicamentos - Hoje pela manhã o promotor de Justiça da Saúde Pública, Alexandre de Moraes, fez nova vistoria na farmácia do HC. Durante a visita, constatou que ainda faltavam seis medicamentos considerados "de ponta", indicados para transplantados e cardíacos, entre eles o monogramostin, octreotida e interferon. D´Elia explicou que esses remédios deveriam chegar até o fim da tarde.
Moraes havia concedido ao HC um prazo, que expirou hoje, para que esses remédios de ponta fossem repostos, sob pena de instaurar uma ação civil pública, responsabilizando o superintendente do hospital pela falta de medicamentos. "O dia 30 só termina à meia-noite, temos o dia inteiro para receber esses remédios", disse DElia. Até às 13h30, dos seis medicamentos que estavam faltando pela manhã, quatro já haviam sido entregues. Os outros remédios que ainda estão faltando (cerca de 200, indicados para tratamentos psiquiátricos, anti-inflamatórios e antibióticos), segundo DElia estarão com a oferta regularizada,no máximo até 10 de dezembro.
Parcelamento - Enquanto o estoque dos remédios para pessoas submetidas a transplante e cardíacos não estiver regularizado os pacientes estarão recebendo doses desses medicamentos para um período de apenas 15 dias. O normal, admite D Elia, seria recebê-los, no mínimo, para 30 dias. "É um inconveniente ter de voltar ao hospital, mas eu garanto que nenhum transplantado ficará mais sem medicamento", disse ele.
Ações - A falta de remédios na rede pública do Estado (especialmente em relação aos remédios que não fazem parte da "cesta básica" da Secretaria de Estado da Saúde) e do município levou o Ministério Público a instaurar, nos últimos meses, 15 inquéritos civis públicos.Enquanto essas ações coletivas não são solucionadas, muitos pacientes estão procurando à Procuradoria de Assistência Judiciária (PAJ). Os procuradores estão entrando na Justiça com mandados de segurança
que favorecem pessoalmente o paciente e estão conseguindo obter liminares favoráveis - com o Estado obrigado a comprar o medicamento para o autor da ação.

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