Curitiba - A vida da recém-nascida Helena Pontara Pontes Lopes dependia de um procedimento cirúrgico preliminar ao nascimento, a fim de corrigir uma má-formação na traqueia. Uma equipe de 25 médicos do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, realizou uma manobra até então inédita no Brasil, que consistia numa traqueostomia, estando a placenta ainda colada ao útero e Helena apenas parcialmente fora do corpo da mãe. O êxito no procedimento reverteu a sina da menina, predestinada a não sobreviver após o parto.
A manobra chamada Tratamento Extra-útero Intraparto (Exit) Sob Suporte Placentário, já estava nos planos dos cirurgiões pediátricos, tocoginecologistas e anestesiologistas e da equipe da UTI Neonatal do HC, após analisarem os ultra-sons do pré-natal da pequena Helena. Em um exame morfológico realizado na 16 semana de gestação, ainda na cidade onde residem os pais da menina, Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), os médicos detectaram uma obstrução no conduto que leva o oxigênio aos pulmões, falha congênita que impediria a menina de respirar.
Os obstetras realizariam o Exit somente quando a mãe, Paula Regina Pontara, 33 anos, ultrapassasse a 38 semana de gestação, período em que o feto não é mais considerado prematuro. Contudo, inusitadamente na 34 semana, Paula entrou em trabalho de parto e precipitou a realização da manobra, que teve início às 9 horas do último sábado, na maternidade do HC.
Foram necessárias duas horas e meia e a presença ininterrupta de 25 médicos para a cirurgia. A mãe recebeu anestesia geral para que a placenta não fosse expulsa do útero após a retirada parcial do feto. Durante o procedimento, a menina foi mantida sobre as pernas da mãe, estando a placenta ainda colada ao corpo do útero. Helena permaneceu conectada ao cordão umbilical até o término da desobstrução da traqueia.
Somente quando essa cirurgia foi encerrada, o cordão foi rompido e o bebê passou a respirar espontaneamente. A mãe recebeu alta no dia seguinte e a recém-nascida respira com ajuda de aparelhos na UTI Neonatal e, segundo os médicos, com grandes chances de sobreviver. Após um ano de vida, Helena precisará passar por outra cirurgia no canal respiratório, desta vez definitiva.

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