HC não tem como assegurar medicamento a transplantados
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, ainda não sabe como garantir, no mês de junho, o fornecimento do medicamento Glivec, utilizado no tratamento de leucemia de 117 pacientes do centro de Transplante de Medula Óssea. Na segunda-feira passada, quase foi supensa a venda do medicamento devido a uma dívida que o HC possui com o fornecedor, o laboratório Novartis. Segundo a assessoria de marketing do HC, o diretor-geral do hospital, Giovani Loddo, optou por não informar o valor da dívida.
Sabe-se apenas que daqui a um ano o prejuízo pode chegar a R$ 1 milhão. Loddo viajou a Brasília para negociar a dívida com o Ministério da Saúde (MS), mas não obteve êxito com o órgão. Neste mês, não houve a interrupção do fornecimento do Glivec porque o HC pagou parte da dívida com o laboratório. O medicamento que tem o custo médio mensal de R$ 6 mil, por paciente, após o último reajuste, não teve o preço acompanhado pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que mesmo antes era defasada.
Enquanto o SUS repassa R$ 32,00 por 100 miligramas do Glivec, o laboratório cobra R$ 37,00 pela mesma quantidade. Além de ressarcir apenas o valor parcial, o SUS só repassa o dinheiro após 90 dias da compra. Segundo a assessoria de marketing, o HC paga mensalmente R$ 600 mil para adquirir o Glivec, dos quais R$ 83 mil são recursos da própria instituição. O HC iniciou o tratamento para 15 pacientes, em 2003, e desde então arrasta a dívida. Em março, o hospital optou por não aceitar novos pacientes.
Mesma medida tomada pelo Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba, que mantém o tratamento de 25 pessoas. Cada paciente gera um déficit mensal de R$ 500,00 para o hospital, que deve R$ 225 mil para a Novartis. ''Mas porque pagamos R$ 75 mil do próprio bolso. Temos em haver com o MS R$ 300 mil. Já fizemos várias negociações para não perder nosso limite de crédito'', disse Claudiane Minari Boszko, coordenadora do Erasto Gaetner. Ela lembra que o SUS não reajusta os preços da tabela há cerca de nove anos e que tratamento destes pacientes é longo e de alta complexidade.
A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que o Glivec está incluído na lista de medicamentos de ''alto custo'' e que portanto foi acordado que os custos são divididos entre o governo federal e o Estado, que devem repassar 80% e 20% do valor total, respectivamente. A Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o Glivec não faz parte da lista de medicamentos ''excepcionais'', mas que está prescrito dentro do tratamento dos pacientes e deve ser integralmente ressarcido pelo Governo Federal.


