Curitiba- O maior hospital universitário do Paraná está tendo dificuldades para a marcação de consultas especializadas. A capacidade do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é a de agendar e atender cerca de 20 mil consultas por mês. Entretanto, a demanda é muito maior. Em alguns casos pode chegar a dez vezes o número de vagas para agendamento de consultas.
A dona de casa e pecuarista Maria Benedita Tavares, de 45 anos, já esteve três vezes no HC e ainda não conseguiu agendar uma consulta para o marido, que tem câncer de próstata. Ela é de Tomazina (101 km ao sul de Jacarezinho) e saiu de casa às 2 horas da madrugada. ‘‘Ele precisa fazer uma cirurgia de próstata. Estou com todos os exames exigidos pelo médico desde julho do ano passado. Ele não mais consegue trabalhar na lavoura. Estamos cada vez com dificuldades financeiras mais sérias’’, explicou Maria Benedita.
Marinete da Silva, de 58 anos, está com osteosporose e enfrentou fila no HC. ‘‘A gente espera muito por atendimento e se perde a vaga, demora quase seis meses para conseguir remarcar’’, disse ela.
A servidora municipal Martinha Geralda do Vale Machado, de 56 anos, precisa de clínico geral. Em Tomazina, onde mora, não descobriram a doença que poderia ter. ‘‘Não consigo nem beber água e não consigo marcar consulta. Faz três meses que venho aqui e nada’’, reclamou ela.
O diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, explicou que os pacientes estão encontrando filas porque não se faz mais agendamento de consultas para depois de 60 dias. O hospital marcava consultas para até dez meses depois. A taxa de desistência era de 30%. Algumas especialidades não têm ambulatório funcionando todos os dias, o que agrava a situação de quem vai buscar auxílio especializado. Além das reconsultas, o HC precisa guardar 8 mil vagas para as primeiras consultas, que são encaminhadas através da Secretaria de Saúde de Curitiba (30% delas são para pacientes de municípios do interior do Paraná e da Região Metropolitana de Curitiba).
‘‘Esse procedimento é obrigatório. Se o paciente vem marcar a primeira consulta aqui, vai voltar para casa. Só aceitamos com encaminhamento de posto de saúde e autorização da Secretaria de Saúde de Curitiba, instituição da qual somos 100% subordinados’’, explicou Loddo. O HC está fazendo uma reforma da Central de Agendamento de Consultas para minimizar os problemas. Entretanto, a reforma deverá ficar pronta em 90 dias.
A situação piorou depois que três hospitais de Curitiba decidiram deixar de ofertar vagas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

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