HC inaugura nas próximas semanas serviço de telemedicina
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sábado, 01 de abril de 2000
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 02 (AE) - O tratamento de crianças com câncer vai ganhar um novo aliado nas próximas semanas. Médicos do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Hospital de Base de Porto Velho, de Rondônia, vão se reunir on-line para fazer diagnóstico de pacientes com a doença, discutir a forma de tratamento e acompanhar a evolução da terapia. O trabalho vai ajudar a reduzir o número de pacientes que precisam vir a São Paulo para tratamento. Isso vai permitir que a terapia fique mais barata, melhorar as condições psicológicas do paciente, além de permitir maior atualização dos profissionais.
O contato entre médicos dos dois hospitais já é feito há alguns anos, mas de forma rudimentar: telefonemas e cartas. Agora, com o projeto de integração dos sistemas de comunicação, o médico de São Paulo poderá até ver o paciente que está no hospital de Rondônia.
O projeto foi coordenado pelo professor de engenharia elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Marcelo Zuffo. Para colocar em prática o serviço, obras de infra-estrura precisaram ser feitas. Uma torre de transmissão está sendo concluída e três canais de linhas digitais foram instalados. Os custos ainda não estão finalizados. Mas, segundo Zuffo, a estimativa é que R$ 75 mil tenham sido investidos. "É pouco", garante. "Somente com passagens dos pacientes que vêm para São Paulo, são gastos por ano cerca de R$ 100 mil", completa.
O projeto teve a preocupação de tornar acessível o uso dos equipamentos pelos especialistas. Zuffo explica que o sistema todo fica em um aparelho que se assemelha a um frigobar, que pode ser movimentado por todo o hospital. "Com o sistema, é possível fazer videoconferências e analisar exames de diagnóstico por imagem", conta. E não é só. "O aparelho móvel conta com um braço mecânico e câmeras, que permitem ao médico que está em São Paulo examinar e conversar com o paciente de Rondônia." Com o tempo, será possível até analisar lâminas de microscópio por meio do sistema.
O intercâmbio com o Hospital de Base de Rondônia não foi à toa. O Estado é o terceiro a enviar pacientes para o Instituto
atrás apenas de Bahia e Minas Gerais. Mensalmente, uma média de dois pacientes com câncer infantil do Estado recorre ao Instituto da Criança em busca de tratamento. Até 1998, a média era bem inferior: 0,5 caso por mês. "Não sabemos ainda as razões desse aumento", afirma o chefe da Unidade de Oncologia do Instituto da Criança, Vicente Odone Filho. "Agora vamos tentar descobrir as causas."
Odone Filho estima que, com o serviço de telemedicina, bom número de pacientes poderá fazer boa parte do tratamento em Rondônia. Segundo os cálculos do médico, a medida deverá beneficiar entre 30 e 50% dos doentes. "Em alguns casos, a presença deles em São Paulo é indispensável." Isso ocorre, por exemplo, nos casos de transplante ou em algumas formas de quimioterapia. "Mas a estada aqui no Estado também pode diminuir."
Os ganhos são inúmeros, garante Odone Filho. Além da economia no tratamento, preserva-se a estabilidade da família do paciente. "Em alguns casos, a criança e um acompanhante precisam ficar até dois anos em São Paulo", conta. "Muitas famílias que estão estruturadas acabam mudando-se para cá, em uma verdadeira aventura."
Além do tratamento de pacientes com câncer, o serviço de telemedicina deverá ser usado nas demais especialidades do Instituto da Criança. "Esperamos que esse modelo seja adotado em outras instituições", afirma Zuffo. O projeto foi feito por meio de parcerias com a iniciativa privada. "Nec, Embratel, Makron Broos e Alcatel doaram equipamentos", conta Zuppo. Segundo ele, trabalhos semelhantes poderiam ser feitos por outras instituições. "Com a grande vantagem de que elas não teriam de passar por problemas que nós enfrentamos."


