Curitiba- A Ala Pediátrica do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi inaugurada ontem. Mas não irá funcionar imediatamente. Isso porque ainda necessita da contratação de 25 profissionais de saúde (quatro médicos e 21 enfermeiros) para poder prestar atendimento individualizado para crianças de erros de metabolismo e que precisam ser transplantadas. Caso de Rafael, de 6 anos. O garoto que é morador de Nova Londrina, teve a doença descoberta há dois anos, e só agora conseguiu um doador de medula óssea compatível.
''Testamos todos os parentes, nenhum era compatível. Demorou, mas deu tudo certo. O doador é dos Estados Unidos. Estamos internados aqui há um mês e a recuperação está sendo positiva'', contou a dona de casa Maria Helena Rodrigues Nascimento, de 31 anos, mãe de Rafael. Maria Helena perdeu um filho, aos nove anos, vítima da mesma doença.
Na segunda-feira, o HC deverá ajuizar um pedido de contratação emergencial através da Fundação da UFPR (Funpar) para colocar a ala pediátrica em funcionamento. A contratação pela Funpar foi proibida pelo Tribunal de Contas da União (TCU). ''Eu espero que a Justiça se sensibilize e decrete a contratação temporária por ser um serviço indispensável à população, rentável -porque é paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por se tratar de vidas humanas'', disse o reitor Carlos Moreira Júnior.
Paralelamente, o HC enviou um ofício ao Ministério da Educação (MEC) pedindo a contratação urgente de funcionários. ''Pacientes não nos faltam. Temos pacientes de Curitiba, do interior e até de outros estados. Estamos trabalhando contra a maré'', disse Giovani Loddo, diretor do HC.
Desde que foi criado o setor de transplantes de medula óssea, pioneiro no Brasil, foram realizados 1.809 transplantes. Neste ano, já foram 69. A estrutura tem 620 metros de área e custou R$ 436 mil. Os investimentos foram feitos pelo governo do Estado.

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