Curitiba - Médicos do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizaram, ontem, uma cirurgia inédita no Paraná e ainda pouco difundida no resto do País. A intervenção foi feita em uma adolescente de 14 anos para corrigir uma deformidade (cavidade) nos ossos do tórax, chamada de pectus excavatus.
A técnica é bem menos agressiva e mais rápida que a cirurgia convencional. Os médicos Paulo Soltoski e Paulo César Buffara Boscardin contaram com o apoio do professor da Universidade de São Paulo (USP), João Milanez Campos Ribas, que já participou de, pelo menos, sete cirurgias.
De acordo com Soltoski, a intervenção consiste em dois cortes de aproximadamente três centímetros nas axilas por onde é introduzida uma barra de metal. Ela é fixada por dentro da caixa torácica e força os ossos para fora. A cirurgia é feita por toracoscopia (microcâmera que orienta o trajeto da barra).
O paciente fica com a barra de metal confeccionada em liga de titânio e outros metais por cerca de três anos. O médico comparou a técnica ao tratamento ortodôntico. Quando os ossos ficam na posição adequada, a barra é retirada.
Segundo Soltoski, a cirurgia convencional é feita com corte em cima do tórax, sendo necessário afastar a pele e musculatura da área afetada pela deformidade para poder chegar aos ossos e colocá-los na posição correta. Todo o procedimento pode levar mais de três horas, o risco de infecção é maior e a recuperação do paciente é mais lenta. A cirurgia pela nova técnica realizada ontem, por ter sido a primeira, levou três horas, mas Soltoski acredita que é possível realizá-la em menos de uma hora.
Soltoski explicou que a pectus excavatus é o contrário da deformidade conhecida por ''peito de pombo''. Não há uma causa definida para seu surgimento. Em cerca de 80% dos casos, a criança desenvolve a deformidade no primeiro ano de vida. O restante, na adolescência até os 15 anos. Uma em cada 400 crianças têm a deformidade. Segundo o médico, sabe-se que há uma maior incidência em pessoas com Síndrome de Marfan (crescimento acima do normal).
A cirurgia ainda não é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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