Curitiba - Só no Paraná, cerca de 25 mil casais enfrentam dificuldades para engravidar e necessitam de algum tipo de reprodução assistida para ter um bebê. Esse número representa 15% dos casais existentes no Estado. É essa a população-alvo do Programa de Fertilização In Vitro, que o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (PR) acaba de implantar.
A idéia é atender a população mais carente, que dificilmente teria condições de arcar com o preço de um tratamento, que em clínicas particulares não sai por menos de R$ 7,5 mil. Um dos poucos serviços gratuitos do gênero do País, o programa prevê que todo tratamento seja gratuito. O casal só tem que arcar com os medicamentos necessários, estimados em cerca de R$ 150.
O programa é uma iniciativa do médico Karam Abou Saad, chefe do Serviço de Reprodução Humana do HC e diretor do Centro Paranaense de Fertilidade. Para viabilizar o programa, as duas instituições fizeram uma parceria. Ao HC, cabe a responsabilidade de fazer a triagem dos pacientes, consultas, exames laboratoriais, estimulação da ovulação e monitoramento do dia fértil. Já o processo de fertilização é feito pelo Centro.
No dia em que a paciente vai ovular, o casal é encaminhado ao Centro. Ali, são colhidos os óvulos e o sêmen do casal. Os óvulos são fertilizados com o espermatozóide do marido no laboratório. Dois a três dias depois, os embriões já estão formados, podendo ser implantados no útero da mulher. Em doze dias a mulher volta ao HC para saber o resultado do teste de gravidez.
As chances da mulher engravidar, segundo o médico, são de 40%. Ele conta que em geral as técnicas de fertilização in vitro fazem uma forte estimulação dos ovários para que eles produzam entre 10 a 20 óvulos, para serem fertilizados. Para isso, a paciente tem que usar medicamentos que chegam a custar até R$ 5 mil. Em sua clínica, e também no programa do HC, ele usa uma técnica simplificada, na qual a mulher só precisa produzir três a quatro óvulos, que vão produzir entre dois a quatro embriões, que serão transferidos para o útero. Com isso, os gastos em medicamentos para estímulo dos ovários cai para apenas R$ 150.
A princípio, o programa vai bancar dez tratamentos por mês, número que pode aumentar, com o tempo, dependendo da entrada de recursos para o programa. ''Nosso objetivo é fazer com que o HC consiga implantar um serviço completo de Infiltração In Vitro, que pode funcionar anexo ao hospital'', diz o médico. Por enquanto, o hospital fará uma triagem entre os casais cadastrados ao programa para definir a participação. Entre os critérios, será levado em conta a idade do casal, estabilidade matrimonial, filhos já existentes, condições de saúde, avaliação psicológica, condições sócio-econômicas e escolaridade.
Segundo Saad, a fertilização in vitro, em geral, é usada somente depois que outros tratamentos para infertilidade não têm resultados. A técnica é indicada quando o marido apresenta baixo número de espermatozóides, quando a mulher tem problemas nas trompas, quando tem endometriose ou quando não há causa aparente para a infertilidade.

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