Curitiba- O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ainda está selecionando pacientes com idade entre 18 e 65 anos para fazer parte de um grupo de voluntários que vai testar um novo medicamento para tratar a hepatite C. A seleção iniciou há meses, mas o grupo ainda não está completo. Para fazer parte do estudo não basta ser portador da doença. Os interessados deverão ter sido tratados durante pelo menos seis meses com os remédios Interferon e Ribavirina. Eles terão que passar ainda por uma seleção que envolve vários exames clínicos. Como, principalmente no início do tratamento são realizadas visitas frequentes ao HC de Curitiba, é necessário que os voluntários sejam da Capital ou de cidades próximas.
Trata-se de um estudo internacional, patrocinado por uma empresa norte-americana, com vários países envolvidos. No Paraná, a coordenadora responsável pela pesquisa é a médica hepatologista Dominique Araujo Muzzillo, professora da UFPR, com doutorado pela Universidade de Nagoya (Japão).
Ela explica que os voluntários passarão por um retratamento, durante três meses, com o Interferon Peguilado (que permanece por mais tempo na circulação sanguínea) e a Ribavirina.
Segundo Dominique, se não surtir efeito nos três meses iniciais, o estudo prossegue de maneira controlada. O efeito esperado é a diminuição da evolução da doença. Por meio de ''sorteio científico'' chamado de randomização serão formados dois grupos. Um receberá o Interferon Peguilado por um período de dois a cinco anos, enquanto o outro não receberá medicamento, porém continuará sendo acompanhado. Se antes desse prazo ou ao término do estudo ficar comprovada a eficácia do remédio, esse segundo grupo também receberá o Interferon Peguilado e o acompanhamento devido.
A hepatite C atinge grande quantidade de pessoas em todo o mundo. No Brasil, cerca de 3,5% da população sofre com o problema. Segundo a médica, a cada 100 infectados com o vírus da hepatite C, 80 são doentes crônicos. Como é assintomática, muitos só descobrem que têm a doença quando são submetidos a um exame de sangue.
Não há vacina para prevenir a hepatite C. O vírus pode ser transmitido pelo sangue (transfusão, troca de seringa por usuários de droga, aspiração de cocaína pelo mesmo canudo) e por via sexual. As pessoas que sofreram transfusão de sangue até dezembro de 1992 devem procurar um médico e fazer exames, pois a partir dessa data os bancos de sangue passaram a ser obrigados por lei a fazer exames para detectar o vírus. A hepatite é uma doença que atinge o fígado podendo evoluir para cirrose e câncer de fígado e levar o paciente à morte.
Os interessados em participar do estudo deverão procurar o HC pelo telefone (0xx41) 360-7871, entre 15 e 17 horas, e agendar consulta com Fátima e Sara.

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