Hantavírus mata duas pessoas no RS
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quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
Das agências 
O Rio Grande do Sul poderá registrar um boom de contaminações por hantavírus, disse ontem o chefe do departamento de ações em saúde da Secretaria da Saúde e Meio Ambiente/RS (SSMA/RS), Flávio Kanter. Ele observou que o boom seria algo de menor impacto do que uma epidemia ou surto. Na sua concepção o termo descreve uma súbita ocorrência de casos em uma área determinada. Kanter lembrou o comportamento cíclico da doença, que costuma registrar uma rápida curva ascendente, com número crescente de contaminações, logo seguida da estagnação e da queda.
O Estado registrou desde 31 de outubro cinco casos de contaminação por hantavírus, com duas mortes. Os dois últimos foram divulgados anteontem. Uma pessoa está hospitalizada, uma se recuperou e outra não apresentou sintomas.
O mais provável, segundo Kanter, é que mais casos tenham ocorrido anteriormente e passado despercebidos. Agora, com os médicos e a população mais atentos, esta possibilidade diminuiria.
Os dois últimos casos, confirmados por exames do Instituto Adolfo Lutz, aconteceram em Vacaria, município do Nordeste do Estado, a 236 quilômetros de Porto Alegre, e em Viadutos, no Alto Uruguai. O morador da zona rural de Vacaria já recebeu alta e o de Viadutos não desenvolveu a doença.
O terceiro contaminado, um homem de 37 anos, permanece internado em hospital de Porto Alegre. As identidades dos contaminados são mantidas em sigilo. Hoje Kanter informou que o paciente continuava respirando com a ajuda de aparelhos mas estava melhorando. Morador de Gramado, na Serra Gaúcha, ele foi hospitalizado no dia 18 do mês passado com suspeita de dengue. Cinco dias mais tarde, surgiram indícios de que se tratava de contaminação por hantavírus.
As duas vítimas fatais no Estado foram os agricultores Jair Kipper, de 33 anos, e Anibaldo Albring, de 44. Os dois trabalhavam no campo e moravam no Alto Uruguai. Kipper vivia em Três Arroios e Albring em Viadutos. Hoje o coordenador da seção de zoonoses e vetores da secretaria, Eduardo Caldas, e o pesquisador Luiz Elói Pereira, do Adolfo Lutz, deveriam montar armadilhas nos arredores de Erexim, no Alto Uruguai, para capturar ratos silvestres. O vírus é transmitido por fezes e urina de ratos e provoca hemorragias.
Nas últimas três semanas quatro pessoas morreram no município de Brumado (654 km de Salvador) em consequência de um surto de cólera que atinge a região desde o mês passado. Segundo técnicos da Secretaria Estadual da Saúde, 50 casos suspeitos foram notificados na cidade desde o dia 16. Do total, três já foram confirmados por exames de laboratórios.
Funcionários da secretaria e da Prefeitura de Brumado suspeitam que a doença se alastrou na cidade devido à utilização de água contaminada por parte dos moradores. Com a seca que atinge a região, os moradores estão retirando a água de poços artesianos construídos em áreas de esgoto.
O primeiro caso suspeito de cólera em Brumado foi registrado no dia 16. O aposentado Manoel Freitas foi internado com os sintomas da doença e morreu poucos dias depois.


