Hantavirose continua sem controle no PR
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sábado, 23 de dezembro de 2000
Ellen Taborda De Curitiba 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) ainda não começou o trabalho de suspensão das licenças das empresas madeireiras que não cumprem as regras de prevenção à hantavirose. O controle sobre as construções de acampamentos para trabalhadores que fazem a extração de pínus está previsto na resolução 001/2000, de 22 de novembro. De acordo com o diretor de desenvolvimento florestal do IAP, Mariano Félix Duran, o órgão aguarda que a Secretaria Estadual da Saúde envie folders explicativos para serem anexados às autorizações para o desmate.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, os folhetos com orientações para a construção dos acampamentos seriam entregues ao IAP ontem à tarde. Eles foram confeccionados especialmente para acompanhar a autorização que é dada às madeireiras. A Secretaria garantiu que os folhetos serão encaminhados também às regionais de Saúde em todo o Estado a partir da próxima terça-feira.
O secretário da Saúde, Armando Raggio, disse que a arma utilizada pelo governo do Estado no combate ao hantavírus será mesmo a informação. Para ele, não há outra forma de enfrentar a doença, que ainda é desconhecida. O problema é grave, mas o que tenho percebido é que o poder de persuasão é mais eficiente do que o de polícia, afirmou.
A secretaria não pretende interferir no controle do desmatamento no Paraná, uma das principais causas do contato do rato silvestre transmissor do hantavírus com o homem. Raggio contou que o extrativismo é a principal fonte de renda de muitos municípios das regiões Sul, Centro e dos Campos Gerais. Tentar controlar a população de ratos silvestres também é arriscado, segundo o secretário. Isso não é recomendável, pois pode provocar um desequilíbrio ambiental.
Os recursos para o combate à hantavirose vêm dos governos estadual e federal. Segundo Raggio, não há um levantamento exato do quanto foi gasto. Ele disse que nada extrapolou o orçamento previsto pelo Controle de Doenças Emergentes e Reemergentes do Ministério da Saúde.
A secretaria se preocupa agora com as pessoas que vão passar as férias no campo e se hospedar em casas que tenham ficado fechadas por muito tempo. Neste caso é preciso fazer a limpeza sem levantar poeira, que é onde podem estar as fezes e a urina do rato, alertou o secretário. Desde agosto, o Paraná já registrou 18 casos de hantavirose. Cinco pessoas morreram.
O desmatamento na região Sul do Paraná pode ser um dos principais fatores do aumento de casos de hantavirose. Como o hantavírus só é transmitido por roedores silvestres, os infectados são pessoas que tiveram contato com esses animais, em especial as populações rurais. O hantavírus é transmitido pela inalação de poeira de fezes e urina dos roedores. Em contato com a corrente sanguínea humana, o vírus ataca os pulmões, reduz a capacidade respiratória e pode levar à morte, se não houver tratamento adequado.
Para a bióloga Gisélia Rúbio, chefe da divisão de zoonoses e animais peçonhentos da Secretaria de Estado da Saúde, medidas preventivas podem evitar infecção. Uma delas é não deixar restos de comida dentro de casa; a outra é guardar a ração animal em local apropriado. Os dois casos da doença registrados em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba) foram de pessoas que varreram casas, que estavam fechadas durante muito tempo, para a pescaria de fim de semana. Em General Carneiro os casos ocorrem com trabalhadores dos reflorestamentos, explica.


