São Paulo, 26 (AE) - O deputado estadual Hanna Garib (PPB) não compareceu mais uma vez, hoje, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apura, na Câmara Municipal, a corrupção em administrações regionais da Prefeitura. Por meio de documento entregue por seu advogado ao presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), o parlamentar classificou as provas obtidas pela comissão como "lixo jurídico". Disse que o convite feito pela mesa - que chamou de "convocação" - é uma ofensa à Assembléia Legislativa e acusou três membros da CPI de praticar irregularidades na investigação.
O ex-vereador controlava a Administração Regional da Sé. Inúmeros depoentes relacionaram seu nome à corrupção envolvendo comerciantes e camelôs. Segundo o advogado Alberto Rollo, a Câmara, para Garib, é "coisa do passado". "A convocação de um deputado trata-se de verdadeira ofensa à Assembléia", escreveu Garib. Sobre a denúncia que motivou a "convocação", disse que é "no mínimo risível", por não se apegar, em sua visão, a fatos concretos e determinados. "Não é acusação, é arroubo".
O presidente da CPI foi citado várias vezes no documento entregue pelo deputado. "O tape que ele usa como suporte de suas acusações é uma produção hollywodiana", afirmou Garib. Cardozo teria praticado "desvio de função" e "exercício ilegal da advocacia" no comando da mesa, em "co-autoria" com os promotores de Justiça que participam das investigações sobre a máfia dos fiscais. Os vereadores Mílton Leite (PMDB), relator da CPI, e Dalton Silvano (PSDB) foram acusados de recolher depoimentos informais. "A politização desses depoimentos cobrem de suspeição os atos dos vereadores", afirma o deoutado.
Quatro dos cinco membros da mesa reagiram às provocações de Garib e Rollo. Apenas Wadih Mutran (PPB), a quem Rollo elogiara minutos antes, não se manifestou. A resposta oficial, segundo o presidente, será dada na próxima sessão da CPI, na quinta-feira. Preliminarmente, ele disse que não faria sentido a Assembléia investigar suposta falta de ética e decoro referentes à atuação de Garib como vereador. Ele assumiu a vaga de deputado no dia 15 de março. "Nem a União, nem o Estado são superiores hierárquicos do Município", lembrou. "Outro exercício não apaga o mandato anterior". Segundo o relator Leite, todos os depoimentos colhidos foram registrados oficialmente. "Não apareceu ninguém falando bem do nobre deputado Hanna Garib, senão teríamos trazido à CPI". Negativa - O comerciante Nélson Caneloi, proprietário de cinco lojas no centro, negou hoje, durante depoimento na CPI, qualquer participação no esquema de propinas da Administração Regional da Sé. Acusado de recolher dinheiro de comerciantes para evitar a fiscalização, Caneloi declarou nunca ter dado dinheiro aos fiscais. "Sempre preferi manter distância dos fiscais. Se tivesse pago alguma coisa, eles não iriam na minha loja fazer apreensões, como ocorreu diversas vezes".
Caneloi afirmou conhecer o deputado Hanna Garib, mas negou ter colaborado com sua campanha eleitoral ou na de qualquer outro político. "Eles pediam para colocarmos faixas na loja e também distribuir folhetos, mas eu nunca fiz isso", afirmou. Também não confirmou ter pago propina a policiais militares. "Como todo comerciante, às vezes, em datas como Natal, Dia das Mães, eu dava um presente".
O comerciante disse ter estado na Regional da Sé na gestão de Garib, diversas vezes, mas para pedir que retirasse barracas de camelô da frente de sua loja. "Essa minha luta vem de 1983, mas nunca consegui nada por muito tempo", disse. "O administrador pedia à fiscalização que passasse por lá. Eles organizavam tudo, mas os camelôs acabavam voltando após uma semana". Caneloi afirmou que, como não conseguia resolver o problema com a prefeitura, decidiu "copiar o Mappin" e demarcar a calçada em frente à sua loja, na rua Direita, com uma faixa pintada no chão, para limitar os marreteiros. "Da faixa para lá, eles podiam fazer o que quisessem", contou. "Do lado da minha loja, meus seguranças impediam".
Na área demarcada, seus funcionários montavam barracas para vender produtos da loja. "Era uma questão de sobrevivência", declarou. "Meus funcionários trabalham por comissão e, muitas vezes, sem que eu soubesse, avançavam na calçada". Caneloi negou que essas mercadorias fossem vendidas sem nota.

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