Nos estacionamentos, veículos com placas de Londrina e até de Manaus (AM) já indicavam a diversidade do público presente. Diferentemente do período da exposição, contudo, o Parque de Exposições Ney Braga cedeu ontem seu espaço para a música católica e para milhares de pessoas que fizeram dos pavilhões espaços para a pregação da Bíblia.
Batizado de Hallel (do hebraico, ''louvor'') e organizado por pastorais e movimentos da Igreja Católica, o evento é considerado o maior do gênero na América Latina. A edição de ontem foi a primeira em Londrina, depois de já ter sido realizada em Brasília (DF), Maringá e Franca (SP), onde teve início em 1988.
A abertura foi às 8h30 com missa celebrada pelo arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin. Os fiéis desfrutaram de shows, palestras e orações. O público estimado pela organização, durante todo o dia, foi de 70 mil pessoas. Os alimentos arreacadados como ingresso serão doados a 50 entidades assistenciais do município.
Segundo um dos organizadores, padre César Braga, a meta desse tipo de celebração é levar, por meio dos shows e palestras, as novidades da Igreja. ''A mensagem cantada exerce maior influência que a falada; é também por essa forma de louvor que fazemos nossa busca por fiéis'', afirmou.
Com 23 anos de ''catholic music'' distribuídos na carreira em quatro CDs, o cantor Eugênio Jorge, vindo de Cruzeiro (SP), concorda com o padre. Para ele, é bem mais fácil evangelizar pela música. ''Essa é uma forma de levar a Igreja aonde o povo está e não só a quem é católico'', disse.
Ansiosas pelos shows da noite entre eles, o do mexicano Martin Valverde , as estudantes Paula Miranda, de 15 anos, e Bruna Diego, de 16, contaram que o interessante mesmo foram as pregações. ''Para saber mais sobre minha religião e para louvar Jesus'', justificou Paula. ''Às vezes os colegas até me taxam de careta, mas vale a pena enfrentar o preconceito'', comentou Bruna.
O auxiliar de serviços gerais Fábio de Oliveira Paz, 23, garantiu que sair de Ibiporã com a esposa e a filha bebê, e encarar o frio de ontem, valeram a pena. ''A gente aprende muito com as palestras, tem que aproveitar'', avaliou. Já na tenda de rock gospel, o heavy metal foi a desculpa para o estudante Wellington Rodrigues Lima, 17, ''ateu confesso'', explicar a presença no Hallel. ''Além do mais, meus amigos me convenceram'', desconversou.

mockup