Curitiba – O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) investiga denúncias de agressões físicas e xenofobia contra 13 imigrantes haitianos dentro do ambiente de trabalho em Curitiba. Os relatos das vítimas são de xingamentos, humilhações, preconceitos e espancamentos por parte de funcionários brasileiros.
O MPT acompanha os abusos aos estrangeiros desde 25 de junho, quando as primeiras denúncias, referentes a haitianos que trabalhavam na construção civil, foram divulgadas. As novas vítimas atuam em outras áreas como restaurantes, bares e hotéis.
Na segunda-feira, um encontro reuniu MPT, Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil (Sintracon), Federação dos Trabalhadores nas Industrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná (Fetraconspar), Centro de Referência em Direitos Humanos Dom Helder Câmara (Caritas), Comissão de Refugiados e Imigrantes da Casa Latino Americana (Casla) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). Na ocasião, os haitianos foram ouvidos.
Segundo a presidente da Comissão dos Direitos dos Refugiados e Migrantes da OAB-PR, Nádia Floriani, as agressões têm acontecido única e exclusivamente por uma questão de raça e etnia. "Eles estão sofrendo por serem estrangeiros e negros. Infelizmente muitas pessoas não sabem lidar com as diferenças e isso têm se tornado uma situação cada vez mais comum e grave", apontou a advogada.
A representante da OAB relatou que muitas vezes os haitianos não denunciam as ofensas e a discriminação em virtude do medo de perderam o emprego. "Um rapaz, que trabalhava em um cerealista na região de Curitiba, nos contou que diariamente era chamado de macaco e crioulo. Ele era tratado como escravo, sendo obrigado a carregar mais peso que os demais. Alguns funcionários jogavam banana para ele. Um dia ele foi covardemente espancado por três colegas, que falavam que ele estava apanhando por ser negro e haitiano", relatou Nádia Floriani.
O MPT vai acionar administrativamente as empresas, já que muitas seriam coniventes com as agressões, e judicialmente os agressores. "Temos como bandeira o combate a toda e qualquer prática discriminatória praticada em prejuízo do trabalhador, seja ela fundada em raça, sexo ou nacionalidade", afirmou o procurador do trabalho, Alberto Emiliano de Oliveira Neto.
Apesar do Haiti estar longe do epicentro dos registros de casos de ebola na África, os haitianos têm sofrido também em virtude da doença, que já matou mais de quatro mil pessoas no mundo. "As suspeitas de casos no Paraná aflorou ainda o preconceito contra esses imigrantes", lamentou a representante da OAB-PR.

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