Haitianos desistem de emprego no PR
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domingo, 29 de abril de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Ibiporã - Já é noite, quase 19 horas, quando um grupo de haitianos vira a esquina a caminho de casa após mais um dia de trabalho em Ibiporã (Norte). Faz três meses que aproximadamente 20 deles chegaram na cidade trazidos pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Ibiporã. Do total, porém, apenas quatro permanecem no município.
De acordo com Elos Pierre, um dos remanescentes, a maioria voltou para São Paulo. ''Eles falaram que lá conseguiriam ganhar mais'', afirma ele, que não pretende permanecer por muito tempo em Ibiporã, mas ainda não sabe quando partirá.
Com 31 anos, Pierre deixou esposa e uma filha de 4 anos no Haiti. ''A cada 15 dias, quando sai pagamento, mando uma parte para lá'', conta. ''Estou com saudade do Haiti. Mas para voltar tem que ir com dinheiro. Me falaram que precisa de R$ 5 mil. Acho que não é tudo isso, mas não tenho o que preciso'', lamenta. Para ele, falta garantia no trabalho. ''Se ficar doente e não puder trabalhar não recebo pelo dia mesmo que mostre atestado. E também não tem férias. A cada 15 dias a gente recebe de acordo com O número de dias que trabalha.''
Além dos quatro haitianos que permaneceram do grupo original, outros cinco que estavam vivendo e trabalhando em Rolândia (Norte) chegaram a Ibiporã. O mais jovem deles é Roc Auguste, 26 anos, que está há quatro meses no País e praticamente não fala português.
Canes Jeunes estava na mesma situação e até precisou de um intérprete para conversar com a reportagem da FOLHA em janeiro, no dia em que chegou a Ibiporã. No Haiti se fala frânces e creole. Agora, após três meses, ele entende razoavelmente o português e até arrisca um ''portunhol'', pois morou na República Dominicana.
Jeunes também pensa em partir. ''Não ganho muito, mas só saio com a certeza de que vou para um lugar melhor. Aqui estou ganhando de R$ 800 a R$ 900 por mês'', diz.
Com 53 anos, ele é o mais velho entre os haitianos que vivem em Ibiporã. A maioria está na faixa dos 20 anos. ''Perdi tudo no terremoto (de 12 de janeiro de 2010). Minha casa, meu trabalho. Perdi irmãos. Só restou minha esposa e quatro filhos. Vim para trabalhar, ganhar dinheiro e poder construir uma casa para eles lá'', conta.
Como parte dos haitianos foi embora, no momento há brasileiros morando na casa alugada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias. A vinda dos estrangeiros foi iniciativa do presidente da entidade, Márcio Rodrigues, que foi ao Consulado do Haiti em São Paulo e ofereceu oportunidade de emprego aos imigrantes. Rodrigues não foi encontrado para comentar sobre a partida dos estrangeiros.
Muitos dos haitianos que vieram para Ibiporã e outras cidades do Estado, como São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) e Cascavel (Oeste), entraram no País pelo Acre, passaram por São Paulo e depois chegara ao Paraná.
Atualmente há cinco mil haitianos regularizados no Brasil, de acordo com Ministério da Justiça. No início de abril, o País permitiu a entrada de mais 245 que estavam no Peru e, ao mesmo tempo, regularizou outros 363 que viviam irregularmente no Amazonas. O Haiti é um dos países mais pobres do mundo e ainda está longe de se recuperar do terremoto que matou 316 mil pessoas em 2010.


