Curitiba - Três arquitetos e um engenheiro haitianos envolvidos com a reconstrução do país caribenho visitaram ontem o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) para conhecer um projeto de urbanização criado por engenheiros paranaenses. O modelo estabelece núcleos estruturados de comunidades para cerca de 200 famílias. A comitiva do país devastado pelo terremoto de janeiro do ano passado pretende agora levar a proposta para ser adotado no Haiti, com o apoio de entidades privadas ou do governo do país.
O vice-presidente do IEP, Cássio José Ribas Macedo, fez a apresentação dos documentos com o projeto criado a pedido do governo federal em 1985. ''São núcleos bem desenhados, com policiamento, escola, unidade de saúde. A ideia é que esses núcleos vão se proliferando. O modelo não resolve os problemas causados pelo terremoto em si, mas é uma solução para a superpopulação de algumas regiões de um país com uma área tão pequena'', afirmou. Embora seja ideal na teoria, Macedo admite que o projeto nunca saiu do papel no Brasil.
A oportunidade dos profissionais haitianos conhecerem o projeto paranaense surgiu após o ''I Seminário Internacional Renascimento Solidário do Haiti'', realizado nesta semana em Foz do Iguaçu. Eles puderam ainda conhecer o trabalho do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), órgão fiscalizador e regulamentador das profissões da área tecnológica.
Gerard Jean Baptiste, um dos haitianos que veio conhecer o modelo de gestão das entidades, conta que no país de origem não existem associações de engenharia e arquitetura com papel fiscalizador. ''A única fiscalização que existe é do governo. E o governo não fez bem o seu trabalho. Por isso tantas construções desabaram no terremoto'', declarou.
Sobre os núcleos urbanos demonstrados pelo IEP, Baptiste acredita que o modelo poderá ser implementado com sucesso no Haiti, mas precisará do apoio de entidades nacionais e internacionais.

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