Os dois maiores símbolos nacionais - o Palácio Presidencial e a Catedral de Porto Príncipe -, continuam como o terremoto os deixou: intactos em sua destruição. Entre as ruínas da igreja, o cenário é pontuado por uma dezena de pessoas com marretas e serras tentando arrancar pedaços de ferragem para serem vendidos. São as heranças da dor se transformando em comida, num país onde dois terços da população não têm emprego formal e oito em cada dez pessoas vivem abaixo da linha de pobreza. A gravidade do desemprego foi perceptível nas ultimas eleições no Haiti: o cargo de deputado e senador foi o primeiro emprego de 40% dos eleitos.
Além de escombros e mortos, o terremoto deixou também milhares de órfão e mutilados. No Orfanato Soldadinho da Paz, mantido com ajuda mensal de US$ 1,00 dos militares brasileiros do 2º Batalhão de Infantaria de Força de Paz, dezenas de órfãos têm a oportunidade de estudar, comer e se abrigar. As condições estão longe de serem ideais, mas são muito melhores que antes.
Abrigado no orfanato, o jovem Josef, 12, relembra que estava dentro de casa quando ocorreu o terremoto mas conseguiu correr. ''Minha família toda ficou dentro da casa. Todos soterrados e mortos.'' O jovem, porém, não esmorece. Além da gratidão por estar vivo, mantém o sonho de ser professor. Josef não está só. Quinze crianças do orfanato perderam os pais no terremoto. Estavam sozinhas vagando pelas ruas quando o coordenador do abrigo, o pastor haitiano Supreme, as encontrou.
A instituição tem professores, funcionários, reformas e alimentos custeados por militares brasileiros. ''Preciso de dinheiro para investir no projeto. Por enquanto, ajuda só do Brabat II'', desabafa o pastor.

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