Haider, um neonazista ou um inescrupuloso oportunista?
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Roland Prinz, da AP 
Viena, 02 (AE-AP) - O caminho para o sucesso para Joerg Haider tem contido algumas ciladas - algumas criadas por ele próprio. Mas elas não têm dissuadido o mais popular direitista da Europa de seu determinado objetivo de alcançar o poder político.
O último problema que Haider tem enfrentado é a maciça pressão estrangeira contra a participação de seu partido no próximo governo austríaco.
Como era de se esperar, Haider não se mostra intimidado enquanto ele e seus parceiros políticos negociam os últimos detalhes de uma coalizão governamental composta por seu Partido da Liberdade e o conservador Partido Popular Austríaco.
Tipicamente, ele ataca os que o atacam. Não é seu partido que não é democrático, argumenta, mas a União Européia, que está ignorando a vontade dos eleitores da áustria ao ameaçar com sanções caso seu partido participe do governo.
A franqueza deste advogado de 50 anos é em parte fruto de convicção e em parte um jogo de cena. Os austríacos tradicionalmente rejeitam críticas estrangeiras a seus políticos - o apoio maciço ao presidente Kurt Waldheim na década de 80, apesar de acusações de que ele escondeu seu passado nazista, é o exemplo mais destacado.
Algumas vezes essa franqueza criou-lhe problemas numa carreira política de 30 anos que teve início como líder da organização da juventude do Partido da Liberdade.
A partir dali, Haider, de aparência jovem e sempre bem arrumado, subiu a escada até ter afastado seu predecessor como chefe do partido nacional em 1986. Ele afastou o partido do liberalismo e aproximou-o da mistura populista-nacionalista que funciona tão bem com muitos austríacos.
Haider, filho de uma abastada família austríaca, certa vez comentou sobre as fortes ligações de seus pais com o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. "Em retrospectiva, alguém é sempre mais sábio".
Ainda assim, ele é mais conhecido no exterior por seus antigos elogios às políticas de emprego de Hitler e ao caráter dos veteranos nazistas da SS - declarações que há muito ele retirou.
Ele já chamou os campos de concentração nazistas de "campos de punição", implicando que aqueles que para lá foram mandados teriam feito algo errado. As suspeitas públicas de seu partido em relação a estrangeiros foram manifestadas nos cartazes de campanha da última eleição de Viena, advertindo em um jargão da era nazista sobre a "Ueberfremdung" ou "Superestrangeirização"
Mas as suspeitas austríacas profundamente arraigadas dos estrangeiros é apenas parte da fórmula que tornou seu partido o segundo mais popular nas eleições de outubro e deu a ele a chance de tornar-se integrante do próximo governo.
Haider e outros líderes do partido também conquistaram pontos com ataques contra os partidos tradicionais, o conservador Partido Popular e os Social Democratas que governaram a áustria nos últimos 13 anos.
Acusações de corrupção, falcatruas e inércia foram bem recebidas por um eleitorado que - embora desfrutando um dos mais altos padrões de vida da Europa - estava disposto a mudanças. Promessas de segurança no emprego, melhoria dos benefícios sociais, e um fim a abusos do Estado de Bem Estar e uma política de "áustria Primeiro" também o ajudaram a ganhar popularidade.
As negociações com o Partido Popular têm sido marcadas pelo profissionalismo e bom senso, segundo comentários emergindo das reuniões.
Mesmo antes das eleições de 3 de outubro, que abriu caminho para sua ascensão ao poder, o elegante advogado com um bronzeado perpétuo, cujas distrações inclui o bungee-jumping e que troca do jeans para ternos com uma facilidade camaleônica, parecia ter aprendido com o passado.
Casado e pai de dois filhos, ele amenizou sua aguda retórica. Ele tem evitado aparecer em má companhia desde seu encontro em 1996 com veteranos da SS. E ele estudou em Harvard por poucas semanas anos atrás, tanto para polir sua imagem quanto para aprofundar seus conhecimentos de economia.
Em novembro último, Haider se distanciou de "comentários enganosos" e desculpou-se com a comunidade judaica de seu país pelos elogios passados da era nazista.
Destacando sua habilidade de mudar rapidamente de posição, o comentarista Christoph Kotanko afirmou que ele "não é nem um neonazista nem um fascista, mas um inescrupuloso oportunista e populista".
Mas a preocupação persiste, na União Européia, nos Estados Unidos e em outras democracias. Poderia um homem que elogiou as "decentes políticas trabalhistas" de Hitler e que considerou os soldados SS do ditador nazista de "homens de caráter" ser um democrata?
E poderia seu partido governar numa Europa de fronteiras cada vez mais abertas enquanto diz repetidamente que o fechamento das fronteiras é a chave para a sobrevivência da áustria?


