Haider promete moderar discurso, não se intrometer no governo
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domingo, 06 de fevereiro de 2000
Por Roland Prinz 
Viena, 06 (AE-AP) - O populista de direita Joerg Haider disse hoje (06) que o novo governo do qual seu partido faz parte irá tomar as medidas apropriadas para compensar as vítimas e os sobreviventes do Holocausto.
Num debate televisionado com três jornalistas, Haider também prometeu moderar sua língua afiada e evitar intrometer-se no gabinete da coalizão, no qual ele não tem cargo.
Haider fez o comentários ao vivo na televisão estatal austríaca dois dias depois que seu ultradireitista Partido da Liberdade foi empossado por um constrangido presidente Thomas Klestil apesar de uma onda de protestos e o início do isolamento diplomático da áustria.
No geral, as declarações do jovial direitista foram relativamente conciliatórias comparadas com seus disparos verbais recentemente lançados contra líderes estrangeiros, incluindo o presidente francês, Jacques Chirac.
Haider ganhou notoriedade internacional por declarações elogiando a política de pleno emprego de Adolf Hitler e considerando os veteranos das Waffen SS "pessoas decentes de bom caráter" - comentários pelos quais ele tem desde então se desculpado.
A ascensão ao poder do partido de Haider tem polarizado uma sociedade com sombrias memórias de duas derrotas nas duas guerras mundiais e um conflito civil armado entre esquerdistas e direitistas nos anos 30.
Também hoje, o governo israelense divulgou um duro comunicado condenando a inclusão do partido de Haider no governo, afirmando: "Este é um dia negro para a democracia austríaca e um triste dia para a família das nações livres".
De acordo com um comunicado divulgado por seu escritório, o rabino Michael Melchior, ministro dos Assuntos da Diáspora de Israel, afirmou aos integrantes do gabinete: "Todas os laços com o governo austríaco deveriam ser cortados e feito um esforço conjunto com os Estados Unidos e a Europa a fim de garantir que a áustria pague o preço político".
Haider disse a seus entrevistadores neste domingo que o governo anterior liderado pelos social-democratas não tinha verdadeiramente lidado com o passado nazista, incluindo compensação por trabalhos forçados. Ele afirmou que o novo governo irá tentar reparar suas injustiças e aquelas cometidas contra as vítimas do Holocausto.
"Um governo que é patriótico tem de... estar pronto para enfrentar as consequências do passado e onde tenhamos infligido grande injustiça contra nossos colegas cidadãos judeus ou eliminado suas famílias, temos de tomar as medidas pertinentes", disse.
Apesar de também pedir compensação por prisioneiros de guerra austríacos e pelos de fala alemã expulsos da Tchecoslováquia pós- guerra, Haider, apertado pelos jornalistas, insistiu que não haveria vinculação entre as duas questões.
Haider afirmou também que era necessário esclarecer notícias dando conta que o chanceler Viktor Klima e o presidente Thomas Klestil teriam incitado críticas internacionais à nova coalizão de governo.
Ele disse que não podia "descartar" uma comissão parlamentar caso as suspeitas sejam substanciadas. Segundo ele, uma investigação também seria "do interesse daqueles (envolvidos)...assim eles poderiam provar com credibilidade... que não cometeram esse tipo de alta traição política contra a áustria".
Manifestantes opostos ao partido de Haider se confrontaram com a polícia no centro de Viena pela segunda noite seguida, apesar dos apelos do presidente do país por calma diante do isolamento internacional do novo governo.


