Paris, 07 (AE) - A recente ascensão ao poder na áustria da agremiação de extrema direita de Joerg Haider, o Partido da Liberdade (FPO), está permitindo que outros partidos da mesma natureza na França, Bélgica, Holanda e mesmo na Alemanha comecem a pôr a cabeça de fora.
Alguns estão anunciando que vão seguir, daqui para frente, a linha política do partido do dirigente austríaco. Esse é o caso do Movimento Nacional Republicano (MNR), de Bruno Megret, na França. Isso explica a forte reação ocorrida no país, onde conservadores, verdes, social-democratas e comunistas adotaram uma posição comum para condenar essa evolução.
Na França, país onde a extrema direita representou um perigo durante toda a década, chegando a registrar expressivos resultados eleitorais - perdendo muito de sua força após a "cisão" ocorrida há quase dois anos -, já se constata uma nítida tentativa de recuperação política. Se esse grupo tivesse chegado ao poder na França, a reação seria ainda maior, comenta o filósofo Alain Finkelkraut.
Os recentes acontecimentos na áustria contribuem também para que os diversos segmentos extremistas europeus passem a reivindicar um caminho semelhante ao de seus parceiros austríacos. Isso ocorre apesar de Haider, pressionado pelos 14 países da União Européia, estar procurando diferenciar-se dos movimentos extremistas de outros países, numa tentativa de contornar as atuais dificuldades causadas pela chegada do FPO ao poder.
Ele se tem definido mais como um defensor do "patriotismo" do alemão Konrad Adenauer e não do "ultranacionalismo" do Partido da Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen. Isso é tudo o que Haider não queria. O dirigente austríaco, que busca provar que é um homem "frequentável", não esconde sua preocupação com o apoio que tem recebido de diversos movimentos extremistas de direita de países da União Européia nos últimos dias, o qual pouco contribui para melhorar sua imagem.
O MNR, dirigido pelo dissidente Megret, antigo número dois de Le Pen, está inteiramente identificado com Haider e promete imitar o que foi feito na áustria. Uma manifestação de apoio foi organizada diante da Embaixada da áustria por algumas centenas de militantes do MNR, que repetiam o slogan: "Haider, Megret, o mesmo combate."
Megret afirmou, após reunião do conselho nacional de seu partido, no fim de semana, que decidiu adotar como linha política a do FPO, descartando a idéia de aproximação com o partido do neofascista italiano Gianfranco Fini, que desenvolve, a seu ver, "uma integração dócil e submissa ao sistema".