Haider é acusado de tentar reinventar sua imagem no Canadá
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Tom Cohen 
Toronto, 17 (AE-AP) - Joerg Haider disse há poucas pessoas que estava vindo ao Canadá e algumas daquelas que ele falou que veio ver não querem nada com o líder político ultradireitista austríaco notório por declarações pró-nazistas.
Em sua primeira viagem ao exterior desde que seu Partido da Liberdade uniu-se à coalizão governista da áustria em 4 de fevereiro, Haider tem sido acossado por jornalistas, observado pelo governo e tido negada uma visita ao Centro do Holocausto de Montreal depois de desembarcar inesperadamente na noite de terça-feira.
Uma comunidade de judeus ultraortodoxos chegou mesmo a contratar segurança extra para o caso de ele querer aparecer num casamento, disse hoje seu diretor.
Quando cercado por repórteres e fotógrafos no Ritz-Carlton Hotel em Montreal na noite de quarta-feira, Haider disse que a viagem era particular e que os jornalistas não eram bem-vindos.
Seu paradeiro hoje era desconhecido. Havia rumores de que ele tinha ido para a Magna Internacional, uma corporação multinacional da áerea de Toronto onde um colega de política de Haider, Karl-Heinz Grasser - agora ministro das Finanças austríaco - usava para trabalhar como chefe de comunicação na Europa. Um porta-voz da companhia disse que não era esperada uma visita de Haider.
Líderes judeus no Canadá acusaram Haider de estar tentando usar a viagem ao Canadá para mudar sua imagem de um extremista pró-nazista. Quando seu partido entrou no governo, alguns países
incluindo Israel e Canadá, diminuíram suas relações com a áustria em protesto. A União Européia ameaçou expulsar a áustria.
Poucas pessoas no Canadá sabiam que Haider estava vindo. "Não tínhamos informação a respeito", disse Michael Hoher, um funcionário do consulado austríaco em Toronto.
O ministro dos Relações Exteriores do Canadá, Lloyd Axworthy, afirmou que o governo não havia recebido com antecedência notícia da viagem por parte de autoridades austríacas, o que ele considerou incomum. Encontros oficiais com austríacos em nível ministerial estão banidos por causa da diminuição das relações.
Moshe Ronen, presidente do Congresso Judaico Canadense, disse que Haider teve negada permissão para visitar o Centro do Holocausto de Montreal na quarta-feira. Ronen afirmou não ter entendido porque o pedido de visita ao museu não foi feito com antecedência, e disse que a comunidade judaica no Canadá acredita que Haider estava tentando refazer sua imagem pública reivindicando ligações com o judaísmo.
"Joerg Haider tem usado um apelo ao medo e à divisão para ganhar poder político partidário", afirmou Ronen, chamando Haider de um "cínico manipulador da opinião pública" que carrega a herança de Adolf Hitler com ele "para onde for".
Quarta-feira, em Montreal, Haider visitou um memorial a Raoul Wallenberg, o diplomata sueco que ajudou judeus a escapar do nazismo. Ele também disse que havia sido convidado para um casamento da comunidade Tash Hasidic nos arredores de Montreal.
A seita ultraortodoxa tem raízes no império austro-húngaro, mas seu diretor disse que não queria nada com Haider. Israel Lowen negou que Haider tenha sido oficialmente convidado para o casamento e pediu reforço policial para o caso de Haider aparecer, o que não ocorreu.


