Haider deixa chefia de partido na áustria
Viena, 28 (AE-AP) - O líder de extrema direita da áustria Joerg Haider, de 50 anos, renunciou na noite desta segunda-feira (28) à chefia do Partido da Liberdade (FPOE), após reunião a portas fechadas com a executiva da organização em Viena.
Ele agora vai concentrar-se na função de conselheiro do FPOE e na administração do Estado da Caríntia, do qual é governador desde o ano passado. A informação foi inicialmente transmitida por membros do partido, já que Haider deixou o encontro sem falar com a imprensa.
Aparentemente, ele desistiu do cargo numa tentativa de fazer com que diminua a pressão internacional desencadeada contra a nação depois que o FPOE formou uma coalizão de governo com o Partido Conservador (OEVP), no dia 4.
Mais tarde, Haider disse a jornalistas: "Quero evitar que nossos ministros tenham de ouvir acusações de que todas as decisões tomadas precisam passar pelo chanceler encoberto na Carinthia."
"Os ministros do Partido da Liberdade não são bonecos."
Haider será substituído por sua correligionária de confiança, a vice-chanceler Susanne Riess-Passer, de 39 anos. Ela disse à imprensa não concordar a renúncia de Haider. "Mas respeito sua decisão."
Os 14 parceiros da áustria na União Européia (UE) congelaram os contatos bilaterais com o país após a posse do gabinete - o primeiro de extrema direita em Viena desde o pós-guerra - e Israel chamou de volta seu embaixador.
Com a renúncia, Haider estaria dando mais margem de manobra ao governo, cujos membros de ambos os partidos têm procurado distanciar-se das declarações xenófobas que ele faz em questões como imigração e integração européia. No domingo, ele disse que a moeda única européia, o euro, é um aborto.
Haider tornou-se conhecido mundialmente por ter feito declarações contra estrangeiros, elogiado a "política de emprego dos nazistas" e o caráter dos membros das SS.
Nos bastidores políticos comenta-se que o real objetivo de Haider seria poupar sua imagem para sair fortalecido quando houver novas eleições parlamentares e, assim, conquistar o cargo de chanceler (a denominação do primeiro-ministro na áustria).
Atualmente, o posto é ocupado pelo líder conservador, Wolfgang Schuessel. Com o desligamento da chefia do FPOE, Haider não seria prejudicado pelas medidas impopulares que a coalizão de governo terá de tomar, como o fim do sigilo bancário e o aumento de impostos. Ele não integra o gabinete de governo federal.
A avaliação é que Haider continuará, porém, como a eminência parda do FPOE. "Pelo menos 50% do partido da Liberdade é Joerg Haider", declarou seu correligionário Hans Joerg Schimanek à agência austríaca APA.
A renúncia, antecipada horas antes pelo deputado Peter Sichrovaky, representante do FPOE no Parlamento Europeu, pode levar à saída de alguns ministros de extrema direita do gabinete e provocar a primeira crise governamental.
O primeiro integrante do partido de Haider a deixar o ministério seria o titular da pasta de Justiça, Michael Krueger, que assumira o posto havia três semanas. Oficialmente, ele deixaria o cargo por motivos de sáude. Essa decisão foi anunciada extra-oficialmente hoje e não confirmada por seus assessores.
O FPOE começou a ascender no cenário político austríaco após Haider assumir sua presidência, em 1986, e obteve seu melhor resultado nas eleições parlamentares de 3 de outubro, quando se converteu na segunda maior força política do país.
A coalizão de governo entre conservadores e social-democratas foi rompida após o mau desempenho desses dois grupos. No início do ano, Schuessel entrou em acordo com o partido de Haider para formar um governo de direita.





