Haia aplica maior sentença por crime de guerra3/Mar, 17:13 Haia, Holanda, 03 (AE-AP) - Na maior sentença aplicada até agora, o Tribunal Penal Internacional (TPI) para crimes de guerra na ex-Iugoslávia condenou hoje (03) a 45 anos de prisão o general croata Tihomir Blaskic, de 39 anos. Unidades criadas sob o comando dele utilizaram muçulmanos como escudos humanos no conflito da Bósnia e destruíram povoados inteiros no Vale de Lasva entre 1992 e 1994. Segundo o juiz francês Claude Jordá, presidente do TPI, Blaskic e seus comandados pertenciam ao Exército regular croata e atuavam na Bósnia com autorização do então presidente croata, Franjo Tudjman, que tinha planos para anexar à Croácia a área bósnia habitada por croatas. O tribunal citou, entre outras atrocidades, um massacre ordenado por Blaskic em abril de 1993, em que mais de 100 civis - homens, mulheres e crianças - foram mortos e o vilarejo bósnio de Ahmici ficou literalmente livre de sua população muçulmana. "Os crimes que o senhor cometeu, general Blaskic, são extremamente sérios", pronunciou-se Jorda. "Os atos de guerra que ignoraram o respeito às leis humanitárias internacionais, os vilarejos reduzidos a ruínas, as casas incendiadas e destruídas, as pessoas obrigadas a abandonar seus lares e a perda de vidas são inaceitáveis". Em dezembro passado, o tribunal, formado pelas Nações Unidas em 1993 para punir os responsáveis pelas atrocidades que se seguiram à dissolução da Iugoslávia, havia aplicado, até então, sua pena mais alta: 40 anos de prisão para o sérvio bósnio Goran Jelesic, carrasco do malfadado campo de prisioneiros de Luka, na Bósnia. A sentença máxima que a corte de Haia pode aplicar é a prisão perpétua. Até o julgamento de Blaskic, os réus eram oficiais subordinados. Entretanto, com o veredicto de hoje, o tribunal reflete uma nova tendência de impor penas excepcionalmente longas contra acusados responsáveis pelo comando dos crimes na antiga Iugoslávia. Durante os 25 meses do julgamento de Blaskic, o tribunal ouviu 158 testemunhas e a acusação apresentou cerca de 30.000 páginas com provas. Os juízes levaram sete meses para chegar ao veredicto.

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