São Paulo - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu ontem pela primeira vez a possibilidade de revogar a elevação da tarifa de ônibus.
"Se as pessoas me ajudarem a tomar uma decisão nessa direção [redução da tarifa], eu vou me subordinar à vontade das pessoas porque eu sou prefeito da cidade", disse Haddad, em reunião do Conselho da Cidade com líderes do Movimento Passe Livre, antes de começarem os novos protestos.
No entanto, Haddad frisou que reduzir a passagem de R$ 3,20 para R$ 3 custaria à prefeitura paulistana mais de R$ 8 bilhões até 2016.
Até então, a gestão petista rejeitava a revisão da tarifa - alegando que os subsídios neste ano chegarão ao recorde de R$ 1,25 bilhão.
Segundo Haddad, a prefeitura está disposta a discutir redução de lucros dos empresários e pedir mais desonerações ao governo federal.
No início da noite, atos de violência marcaram os protestos. Um carro da Record foi depredado e incendiado por um grupo de manifestantes. As pessoas que estavam no veículos fugiram do local após a abordagem do grupo.
Os manifestantes também incendiaram uma base da Polícia Militar, na praça do Patriarca, e depredaram uma agência do banco Itaú. As grades de ferro que faziam o isolamento da prefeitura foram usadas nos atos de vandalismo, inclusive na tentativa de arrombar uma porta de madeira na lateral da prefeitura.
Mais cedo, um grupo tentou invadir a entrada principal da prefeitura. Os guardas-civis que faziam um cordão diante do prédio entraram na prefeitura para não serem atingidos pelos objetos que eram lançados em direção a eles. Os muros do prédio também foram pichados pelos manifestantes.
No protesto do último dia 11, pelo menos, 15 jornalistas ficaram feridos, segundo levantamento da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).
Uma manifestação reunindo cerca de 5 mil pessoas, segundo estimativa da PM, e iniciada na frente da Prefeitura de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, também teve momentos de tensão quando parte dos manifestantes tentou fechar uma das principais avenidas da cidade para impedir a passagem de ônibus.
A situação era pacífica até que alguns manifestantes aproveitaram um congestionamento para atacar ônibus que estavam parados, quebrando retrovisores e vidros laterais.
O protesto em São Gonçalo não se restringe ao aumento das passagens de ônibus - havia faixas e cartazes contra a aprovação da PEC 37 e contra os governos federal, estadual e municipal. Policiais do Batalhão de Choque e da Guarda Municipal ocuparam a frente da prefeitura da cidade. Também foram registradas manifestações em Florianópolis, Belo Horizonte, Rio Branco, entre outras cidades.
Reduções
Após a onda de protestos que varreu 12 capitais nos últimos dias, cinco prefeitos anunciaram ontem redução da tarifa de ônibus. Em Cuiabá, Recife e João Pessoa, além de Caxias do Sul (RS), a justificativa foi a isenção de PIS/Pasep e Cofins para o setor de transporte, em vigor desde 1º de junho. Em Porto Alegre, a tarifa também será reduzida.

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