Hackers brasileiros atacam também fora do País
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 16 (AE) - A atuação dos hackers brasileiros não está restrita ao Brasil, segundo levantamento feito pela Polícia Federal. Nos últimos 15 dias, foram registradas 17 invasões dos piratas internautas em sites de vários locais do mundo. A ação dos hackers atingiu até mesmo uma empresa americana de porte médio que vende segurança para computadores e a página da modelo Cláudia Schiffer, além de entidades governamentais.
Como vêm fazendo quase que diariamente em sites nacionais, os hackers brasileiros usam os ataques para protestar contra o governo, denunciam o derramamento de óleo na Baía de Guanabara e até mesmo se manifestam contrários à ação do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e do prefeito Celso Pitta, contra os perueiros. Quase sempre os avisos são assinados por várias pessoas.
Entretanto, as invasões servem como um alerta às autoridades do País. "Governo brasileiro, não vejo muita diferença entre a sua segurança e a da Nasa", avisou o grupo intitulado Inferno.br. "Tá vendo, todo mundo passa por isso", acrescentou o grupo, na pixação feita no site da Nasa (a agência espacial americana), no dia 19 de dezembro passado.
Na primeira quinzena deste mês, pelo menos 17 ataques foram feitos em sites dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Colômbia, Rússia, Bulgária, Taiwan e até mesmo a Arábia Saudita. Em muitas invasões os hackers desafiam o sistema de segurança dos países, como fez o grupo intitulado "Dr Delete", ao acessar a página da Scania Computer Service. O mesmo pirata foi o responsável pela invasão do site de Cláudia Schiffer, no final do mês passado.
Ao acessarem o sistema do Ranson Memorial Hospital, do Kansas (EUA), os hackers brasileiros avisaram que tratava-se de uma "operação arrastão". "Eu que pensei que as páginas gringas eram mais seguras", ironizou o hacker, completando: "Me enganei". Uma página negra, com os nomes FHC e Leitão (a assinatura do pirata internauta) foi colocada no site da League City Police Departament, dos Estados Unidos.
Na página da organização americana Family Resource Center, os hackers somente quiseram assinalar que eram brasileiros, enquanto que no Computer Credible, afirmaram que as invasões tinham um propósito. "Não iremos parar até que ele seja atingido", avisaram os "Crimes Boys", uma dos maiores grupos de piratas internautas do Brasil.
As investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal são mantidas em sigilo, mas muitos dos grupos identificados estão sendo rastreados. O trabalho ainda conta com a ajuda do Comitê Gestor da Internet, um grupo ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, também é integrado pela PF.
Uma das preocupações são os ataques chegarem a setores estratégicos do governo, o que ainda não aconteceu. Apesar disso
no dia 21 de dezembro passado, o hacker intitulado "inferno.br" conseguiu chegar à Itaipu Binacional, mas aparentemente não afetou sistemas importantes.


