Brasília, 01 (AE) - Dos 66 ataques de hackers em várias partes do mundo entre os dias 26 e 29 de fevereiro, 41 foram de grupos brasileiros, alguns a grandes empresas da Europa e embaixadas nos Estados Unidos e Canadá. Segundo avaliação informal da Polícia Federal, as invasões cresceram muito desde o início do ano. Em uma das invasões, os piratas internautas do País alertaram para um problema que só agora está preocupando o governo: "Cuidem da segurança dos sites de vocês, senão fica mais fácil".
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, deverá criar na próxima semana uma comissão para estudar legislação exclusiva para punir os hackers. A preocupação são os ataques feitos recentemente a grandes provedores nacionais, como o Zip.Net, Uol
Cadê e Globo On, com métodos semelhantes aos usados em provedores americanos.
Na segunda-feira os hackers brasileiros invadiram os sites das embaixadas do Azerbaijão nos Estados Unidos e da Finlândia no Canadá, além da organização Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão Group, nos Estados Unidos. Em todas as invasões deixaram protestos contra o governo federal, ressaltando a privatização do setor de telecomunicações.
Os piratas brasileiros atacaram também duas empresas alemãs, a Comissão Federal de Competência do México e outra empresa privada, também mexicana. Nem mesmo a multinacional Xerox, na Itália, o site da miss Universo, de Trinidad e Tobago, e do Office of Oceanic and Atmospheric Reserch (Noaa), dos Estados Unidos, escaparam da ação dos hackers brasileiros.
Hoje o ministro da Justiça, José Carlos Dias, começou a discutir na Costa Rica uma legislação para criminalizar a ação dos piratas internautas. O governo brasileiro quer criar uma lei que puna com rigor este tipo de crime. Segundo Dias, até o final do mês será criada uma comissão para estudar o assunto, com a participação de ex-hackers.
A preocupação do governo aumenta com o fato de os grupos de hackers - que já possuem uma organização própria - estarem formando entidades de protesto contra a política atual. Um deles é a Rede Anarquista de Informação e Ação Revolucionária (Raiar), que entra nos sites internacionais para protestar contra os festejos dos 500 anos do Brasil. "Não tem nada para comemorar"
protesta o Raiar.
Outra organização que começa a surgir entre os hackers é o Movimento Revolucionário 7 de Setembro. Em diversas invasões nos últimos dias, há também a convocação para a fundação do grupo. Em toda a ação dos hackers ligados ao movimento existe sempre um desafio à Polícia Federal.
Segundo informações transmitidas pelos próprios hackers por meio do site Attrition, os ataques ocorreram com maior frequência no sábado passado, quando 25 sites foram invadidos. No domingo, o número caiu para 21 e nos dois últimos dias do mês foram 16.