Hackathon estimula crianças a buscarem soluções para problemas
Competição acontece em Londrina; estudantes foram desafiados a procurar uma solução para a propaganda enganosa na internet
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de junho de 2019
Competição acontece em Londrina; estudantes foram desafiados a procurar uma solução para a propaganda enganosa na internet
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Dezenas de crianças acordaram cedo neste sábado (29) para participar de um hackathon em uma escola de programação em Londrina. Na ocasião, elas formaram grupos e tiveram que buscar uma solução para um problema muito relatado pelos pais hoje na internet: a propaganda enganosa.

“As mães estão reclamando que o volume de propaganda enganosa que estão aparecendo durante os jogos e vídeos têm aumentado cada vez mais, alguns com risco de invasão por hacker”, conta Ana Paula Murakawa, sócia da escola.
Sophia, de dez anos, e seu grupo tiveram a ideia de um aplicativo que evitaria as pessoas caírem em uma propaganda enganosa. Segundo a menina, quando uma propaganda aparecesse na tela, um sinal identificaria a autenticidade da fonte.
A estudante diz considerar a propaganda enganosa um grave problema: “às vezes as pessoas gastam dinheiro quando não é necessário.”
A menina conta que entrou em contato com o mundo da programação em um curso de férias, por indicação de um amigo. “É bem legal. É uma coisa diferente.” Lucas, também de dez anos, acha programação “divertido”. Participar de um hackathon, ele diz, é uma oportunidade de estar com os amigos.
A mãe de Lucas, Ana Puppin, conta que o menino sempre gostou de jogos, e por isso resolveu unir o útil ao agradável. “Desde então ele melhorou muito na escola, em matemática, inglês, lógica, vocabulário, interpretação...”, enumera.

Alexandre Pistori, pai de Felipe, de sete anos, diz que levou o filho para fazer aulas de programação porque ele gosta muito de jogos, computador, celular e Minecraft. Como profissional da área de sistemas, Pistori avaliou que as aulas seriam interessantes para o menino, e também uma oportunidade de convivência com outras crianças. “É bom para conhecer amigos novos, pois ele é muito retraído socialmente. Eu também era muito retraído, não queria que ele passasse pela mesma situação que passei.”
Mentalidade empreendedora
Essa é a primeira vez que o hackathon é realizado na rede de escolas. O evento, que será anual, sempre terá um tema relacionado a algo que está acontecendo no momento e será realizado em parceria com uma empresa. Esta edição tem parceria com o canal do YouTube Authentic Games.

“A ideia do hackathon é disseminar a cultura da Happy Code de trabalhar com a mentalidade empreendedora”, conta a sócia da escola em Londrina. Ela explica que a mentalidade empreendedora não tem só relação com a habilidade de abrir uma empresa, mas com a capacidade de resolução de problemas. “Não adianta só saber usar a tecnologia, é preciso ensinar a criança a enfrentar e pensar em soluções para os problemas. Alguns pais falam que os filhos já brincam tanto com tecnologia, mas é aí que tem que colocar na escola, porque senão eles vão direcionar tudo para o entretenimento. E o entretenimento é só a ponta do iceberg.”
De acordo com Murakawa, o Fórum Mundial já apontou que a programação é uma das habilidades do século XXI e será a linguagem mais falada do mundo. A tecnologia, ela continua, estará presente em todas as profissões, até mesmo nas mais tradicionais.


