Hábitos saudáveis evitam câncer de intestino
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domingo, 23 de maio de 2010
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Se mudar a própria genética ainda não é possível, a melhor maneira de se prevenir contra doenças é manter hábitos saudáveis. E isso se faz ainda mais importante para evitar o câncer de intestino, normalmente 'silencioso'. ''Muitas vezes não há sintomas até a doença estar em estágio avançado'', alerta o cirurgião Vladimir Schraibman, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil) e médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo.
Quando se fala em câncer do intestino, explica o especialista, normalmente é de tumores que atingem o intestino grosso, dividido em cólon e reto. Os tumores de intestino delgado, outra parte do órgão, são muito raros. ''A maioria é de um tipo chamado carcinoma e se origina na mucosa, que é a camada mais interna do intestino. Com o passar do tempo esses tumores crescem, ocupam todas as camadas do intestino e atingem a circulação sanguínea, espalhando-se para outros órgãos como fígado e pulmões''.
A primeira manifestação, segundo o médico Carlos Sabbag, cirurgião do aparelho digestivo, são os pólipos - na realidade tumores benignos que podem crescer na parede interna do intestino grosso e que demoram entre dez e 15 anos para se transformarem em malignos. ''Se descobertos, eles são retirados e o paciente se livra da doença antes que ela comece''. Detectado precocemente a chance de cura é em torno de 80%.
As causas da doença, segundo Schraibman, podem estar relacionadas com genética ou com hábitos de vida. Pesquisas mostram que há relação do câncer de cólon e reto com hábitos alimentares - uma dieta rica em gorduras e proteínas e pobre em fibras vegetais está associada a um maior risco. ''Existem estudos que associam especificamente a ingestão de carne vermelha e carnes processadas a este tipo de doença. O álcool e o cigarro também contribuem, como mostram outros estudos populacionais'', aponta Schraibman.
Os fatores genéticos também interferem. O risco de desenvolver a doença aumenta se algum parente de primeiro grau já foi diagnosticado e pode ser ainda maior se a idade desse parente for menor que 45 anos. ''Nestes casos a investigação médica deve ser mais rigorosa'', alerta Schraibman. A doença também é característica do idoso e a maioria dos diagnósticos é feita na sétima década da vida, mas em 5% dos casos ocorrem abaixo dos 40 anos.
Os sintomas mais comuns, aponta Sabbag, são sangramento nas fezes, diarréia, muco amarelado e dores no momento de excreção. ''Disfunções de digestão sem razão alimentar aparente devem ser sempre investigadas'', afirma. O sangramento, porém, pode também estar associado à uma mudança do hábito intestinal, maior dificuldade para evacuar ou fezes diarréicas e, até a um quadro de hemorróidas. ''Em alguns casos, o tumor é silencioso e apenas um quadro de anemia e emagrecimento é observado. Isso ocorre geralmente no câncer do lado direito do cólon, os que demoram mais para serem diagnosticados'', avalia Schraibman.


