Habitação popular exige infraestrutura
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A Prefeitura de Londrina não conseguiu implantar equipamentos públicos em conjuntos habitacionais recém-inaugurados e a falta de estrutura trouxe sérios problemas para a população. Um exemplo é o Residencial Vista Bela (Zona Norte), com mais de 2,7 mil unidades construídas, que não conta com escola ou posto de saúde. Uma creche foi improvisada no centro comunitário do bairro. Para amenizar o problema, a Secretaria de Educação cogitou comprar salas modulares para atender os estudantes da região.
Somente agora com 75% das residências entregues é que os projetos estruturais desses equipamentos estão sendo concluídos. ''A fundação da creche com 220 vagas já está sendo feita. Estamos finalizando o projeto para um colégio estadual com 2,3 mil metros quadrados de área construída. Esse documento será remetido em breve para a Secretaria Estadual de Educação. Já o projeto para a escola municipal é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação'', garantiu o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), João Verçosa.
A falta de planejamento, no entanto, não é exclusividade da administração municipal de Londrina. Outras prefeituras da região, que também contam com diversos empreendimentos populares, enfrentam problemas semelhantes em programas habitacionais voltados para a construção de casas populares. As dificuldades enfrentadas pelos moradores beneficiados pelo programa Minha Casa, Minha Vida em outras cidades da região, no entanto, são pontuais.
A Prefeitura de Cambé, por exemplo, entregou em novembro 192 apartamentos no Jardim Ana Eliza, primeiro empreendimento habitacional da gestão do prefeito João Pavinato (PSDB). A duas quadras do empreendimento fica o Colégio Estadual Dom Geraldo Fernandes e mais adiante, a Escola Municipal Santos Dumont.
''Minhas filhas foram matriculadas nessas escolas. Tinha vaga disponível e não tive problema'', afirmou o coletor Gilmar Aleixo da Silva. Já a filha de Marcia Cristiana Costa continuou matriculada na mesma escola em que estudava, no Jardim Santo Amaro. O único problema para a auxiliar administrativa é que a menina precisa cruzar a PR-445 para chegar à escola. ''Tenho receio porque é uma rodovia perigosa'', disse Marcia.
''Observamos onde havia vaga e fizemos acompanhamento para que a população não ficasse desassistida. Já encaminhamos pedido para instalação de passarela na rodovia e foi atendido pelo Estado. A construção será feita quando ocorrer a duplicação da rodovia'', adiantou Pavinato.
Tatiane Salmento procurou a creche vizinha ao residencial, mas não conseguiu vaga para os dois filhos e foi obrigada a deixar o trabalho. ''Tive que deixar o serviço, mas não vejo problema porque mudei tardiamente. De certa forma compensou. Antes pagava R$ 600 de aluguel e agora pago R$ 80 de prestação pelo apartamento. A falta do emprego não pesou tanto no orçamento familiar'', disse. Pavinato argumentou que a administração municipal está ''trabalhando na construção de mais cinco creches.''
Cambé tem outros quatro empreendimentos habitacionais em construção, totalizando 1,7 mil unidades. O Residencial Eutinio Casaroto conta com 315 casas edificadas em torno de plantações de café e soja. As chaves serão entregues ainda neste semestre aos moradores, que vão usufruir de infraestrutura completa, com água, rede de esgoto e ruas recém-asfaltadas.
As crianças vão estudar no vizinho Cambé III, bairro a menos de 300 metros de distância, onde também há posto de saúde. Um dos acessos ao Residencial Eutinio Casaroto, no entanto, ainda é feito por um trecho de paralelepípedo.
A construção das 561 casas do Residencial Itaipu também já chama a atenção. Ao lado do empreendimento foi construída a Escola Municipal Maria Trevisan, para atender a educação infantil e o ensino fundamental, e uma unidade básica de saúde. ''Eu morava aqui no bairro e mudei para o Novo Bandeirantes, onde vivo de aluguel. Com tudo isso aqui por perto pretendo voltar e ter minha casa própria'', idealizou a dona de casa Géssica Rocha da Silva.


