Habibie diz que vai investigar crimes cometidos em Timor
Jacarta, 14 (AE-AP) - O presidente da Indonésia B.J. Habibie aceitou hoje (13) estabelecer uma comissão para investigar as denúncias de atrocidades cometidas por milícias antiindependência e o exército indonésio no Timor Leste. A informação foi divulgada por Mary Robinson, presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da ONU. Robinson chegou à Jacarta horas depois que a Indonésio, finalmente, aceitou o envio ao Timor Leste de uma força internacional de paz. "Acredito ser muito importante que se assuma a responsabilidade pelo ocorrido", disse Robinson, depois de reunir-se com o líder timorense Xanana Gusmão. "Caberá à comunidade internacional determinar como essa responsabilidade deverá ser assumida", acrescentou. A representante da ONU também reuniu-se com Habibie e, após o encontro, disse que o presidente indonésio "afirmou seu compromisso com a defesa dos direitos humanos" e prometeu estabelecer uma comissão investigadora para encontrar os responsáveis pelas atrocidades cometidas contra os timorenses. Robinson propôs o estabelecimento de um tribunal internacional de crimes de guerra similar ao existente para a ex-Iugoslávia e para Ruanda. "Temos escutado muitos relatos em que se identificam os responsáveis", disse. Hoje (13), foi denunciado o assassinato do líder da igreja protestante no Timor Leste, o reverendo Francisco de Vasconcelos Ximenes, durante um ataque lançado por grupos paramilitares, em Dili. As informações são de que o pastor foi assassinado por proteger 100 pessoas em sua igreja. John Barr, porta-voz da Igreja Unificada em Sydney, Austrália, disse que Ximenes foi morto à balas na última quinta-feira. Padres e freiras, a maioria católicos, têm sido assassinados com frequência pelas milícias por oferecerem ajuda aos refugiados.





