Habibie diz que Indonésia está preparada para a democracia
Jacarta, 06 (AE-AP) - À véspera da abertura das urnas na Indonésia, o presidente B.J. Habibie disse hoje (06) que o país está preparado para entrar numa nova era democrática e pediu aos candidatos que perderem as eleições para que aceitem o resultado pacificamente.
"As eleições de 1999 marcam o renascimento da democracia em nosso amado país", duisse Habibie em rede nacional de televisão. "Estas serão as primeiras eleições em três décadas que contarão com uma atmosfera de liberdade política real".
Embora o período legal de campanha já tenha sido finalizado, o país foi tomado hoje por uma série de anúncios conclamando a população a participar das eleições com calma e tolerância.
É esperado um grande comparecimento às urnas, com 91% dos 130 milhões de eleitores elegíveis já registrados para este que está sendo considerado o pleito mais livre do país em 44 anos.
Durante todo o dia de hoje, a televisão indonésia apresentou pelo menos uma dúzia de anúncios diferentes tentando assegurar as pessoas de que as eleições serão justas.
Um desses anúncio mostrava pessoas com fitas cinzas sobre a boca com a seguinte mensagem: "Agora é o tempo para falar".
A grande maioria dos indonésios nunca votou em eleições verdadeiramente livres. O único pleito aberto ocorreu em 1955, logo depois de o país se tornar independente. E as eleições subsequentes foram amplamente manipuladas para assegurar a vitória de candidatos governamentais.
Nessas eleições, os indonésios estarão renovando 462 das 500 cadeiras do Parlamento. O restante da representação é reservado para indicações do Exército. Os novos legisladores, então, se unirão a 200 pessoas nomeadas pelo governo para escolher um novo presidente para o país em novembro.
A campanha desse ano, embora tenha sido considerada pacífica pelo governo, registrou várias casualidades. Pela própria conta do governo, mais de 100 pessoas morreram na segunda-feira, a maioria em acidentes de trânsito enquanto viajavam para comícios.
Na problemática província de Aceh, várias pessoas morreram em ataques de separatistas muçulmanos, que se opõem às eleições de segunda-feira e lutam pela realização de um referendo sobre a independência da região.
Centenas de monitores estrangeiros, incluindo o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, estão no país para auxiliar e fiscalizar centenas de milhares de voluntários indonésios que trabalharão nas eleições.
Megawati Sukarnoputri, cujo Partido Democrático Indonésio para Luta, segundo as pesquisas, deverá sair vencedor nas eleições, conclamou seus partidários a fiscalizarem as urnas e as estações de contagem de votos para evitar fraudes.
Os primeiros resultados das eleições de amanhã deverão ser conhecidos de 24 horas a 36 horas depois do fechamento das urnas.





